segunda-feira, 30 de junho de 2014

domingo, 29 de junho de 2014

Há mulheres muito persistentes!

Um tipo casou  com uma mulher que era super teimosa. Depois de dois anos de casamento, à beira de um ataque de nervos, ele finalmente conseguiu convencê-la a consultar um psicanalista.
Na volta da primeira consulta, ansioso, ele pergunta:
— E então, meu amor? Como foi a consulta? Tudo bem?
— Tudo bem, uma ova! Precisei gastar todo o meu horário para convencer o psicólogo que o divã ficava melhor no meio da sala!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Polícias e ladrões



Ontem regressei a casa pouco antes das 20 horas. Tinha acabado de sair do Metro, quando começo a ouvir gritos femininos: " Pai! Pai! Vem depressa, socorro!Vão-me matar!”
Olho à minha volta mas não vejo nada. Passa por mim um homem a correr. Sigo-lhe os passos com o olhar e vejo um corpo no chão debatendo-se com dois matulões. Quando o homem que passara por mim a correr chega junto dela, o acto estava consumado: uma miúda de 14 anos, minha vizinha, tinha sido despojada do seu porta moedas e do telemóvel. Perante o olhar passivo de um taxista que parou para ver a cena, sem sequer esboçar o gesto de sair do carro.
Chego junto dela, ao mesmo tempo do pai.. Ainda corremos atrás deles, mas a exibição de duas facas rapidamente nos dissuadiu. A miúda chora. Sangra por dentro. Um fio de sangue escorre-lhe pelo nariz. O pai tem a revolta estampada no rosto. Dos seus olhos saem chispas de ódio.
Não interessa para o caso se os assaltantes eram brancos, pretos, amarelos, ciganos ou peles- vermelhas. São dois filhos da puta que vão continuar a sustentar-se à custa de assaltos. Para mim não têm perdão. Foi este modelo de sociedade que os conduziu ao crime? É verdade... mas conheço desgraçados com razões de queixa da vida que os atirou para o desemprego e não foi por isso que passaram a assaltar bancos, ou pessoas na rua...
Reconheço, porém, que os assaltantes tiveram azar. Poderiam ter encontrado o Daniel Oliveira ou o João Miranda que, muito provavelmente, os teriam convidado para jantar e discutir, à volta de uma bacalhoada regada a tinto, e whiskey de digestivo, a barbaridade da polícia portuguesa.
A cena passou-se em Lisboa, no Lumiar, não foi no bairro das Galinheiras, em Camarate, na Quinta da Fonte, nem em Loures. Há quem ache tudo isto muito natural. Eu, que em jovem vinha do Caruncho até à Av das Forças Armadas a pé, às 3 da manhã, com amigas, sem qualquer problema, não acho.

Aviso: Recupero este texto, publicado em 2008, a propósito da sentença do tribunal da Relação de Lisboa que, ontem, reduziu de 9 anos de prisão efectiva, para 4 anos com pena suspensa, a sentença do soldado da GNR, acusado de matar uma criança que tinha sido levada para um assalto pelo próprio pai.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Provérbios do mundo (20)

Não pense que não há crocodilos, só porque a água está calma
Provérbio malaio

É p'ra amanhã!

Foto do FB
Em virtude do inusitado número de lesões de jogadores portugueses, neste Mundial, a FPF pediu à TAP este avião para trazer a selecção portuguesa de regresso a Portugal. É já amanhã!

terça-feira, 24 de junho de 2014

O Oitavo Selo


Num  dia  do longínquo ano de 1856, na Guiana Inglesa, houve necessidade de criar à pressa um selo. Foi impresso em papel de fraca qualidade e, para o validar, alguém fez um rabisco à pressa. Valia então um cêntimo de dólar.
O selo percorreu sete países e foi parar às mãos de um magnata, que acabou na prisão, depois de ter assassinado um campeão olímpico de luta livre.
Abandonado à sua sorte depois da morte do magnata, o selo foi  resgatado pela Sothebys. Leiloado a semana passada, rendeu a módica quantia de 20 milhões de dólares ( quase 15 milhões de euros).

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Dão-se alvíssaras


Foto daqui

A quem der indicações sobre o paradeiro do Verão.
Devia ter chegado a Portugal no sábado, mas ainda não deu sinais de vida. Uma brisa morna, soprando entre os pingos de chuva, indicia que deve andar  perdido por aí, sem conseguir encontrar um país que também já não se reconhece a si próprio.

domingo, 22 de junho de 2014

Conversa de treta

- Deixei-te uma mensagem no telemóvel e não respondeste
- Não ouço mensagens...
- Também te enviei um SMS
- Não leio SMS...
- Então para que é que tens telemóvel?
- Eh pá! Não vês que me faz imensa falta?

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Está nos livros (8)



"Quando digo eu também sou jornalista, faço-o com muita humildade, porque à minha memória chega uma ampla galeria fotográfica e nela encontram-se os rostos de Juan Pablo Cárdenas que, por ser um grande jornalista, foi refém pessoal de Pinochet, de Pepe Carraso que, por ser um grande jornalista, foi assassinado por Pinochet, de Rodolfo Walsh que, por ser , além de escritor, um grande jornalista, foi assassinado pela ditadira argentina, de José Luiz Lopez de la Calle que, por ser um grande jornalista, foi assassinado pela ETA, e a eles se acrescentam outros ilustres colegas do grupo que fui encontrando pelo caminho, de modo que, ao dizer eu também sou jornalista faço-o com orgulho, mas um orgulho que não dura muito, pois a profissão encontra-se em franca decadência".

(Luís Sepúlveda in Histórias daqui e dali)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Não havia necessidade...

Estas austríacas não podem sentir uma pontinha de calor, provocam logo confusão!
Aviso à navegação: não são todas as austríacas, evidentemente! Se fossem, era capaz de ir viver para Viena no Verão

Provérbios do mundo (19)

Deixa sempre uma porta entreaberta. Podes querer voltar
( Provérbio espanhol)

terça-feira, 17 de junho de 2014

Muita cerveja, mas pouco chá...



Na última sexta-feira de Maio, o  trabalho obrigou-me a almoçar na Baixa a horas já um pouco tardias. O fotógrafo que habitualmente me acompanha em reportagem, mais habituado a almoços fora de casa do que eu, sugeriu que fossemos a um restaurante perto do Rossio. Sala cheia. Entre os cerca de  60 comensais,  havia  africanos, asiáticos e europeus de diversas proveniências. Penso que éramos os únicos portugueses.
Sentaram-nos ao lado de um casal alemão. Já o almoço ia a meio, o elemento masculino  resolveu meter conversa.  Começou por se mostrar encantado com o sol de Lisboa e enalteceu a beleza da cidade. Depois acrescentou:
Pena estar um bocado suja! O presidente é socialista, não é?
Logo ali apeteceu-me mandá-lo bardamerda, mas contive-me e, fazendo-me desentendido,  comecei a traduzir  para o fotógrafo (que não tinha percebido patavina), o teor da conversa.
Transmontano de antes quebrar que torcer, não esteve com rodeios e, olhando ostensivamente para o casal, mas falando para mim, foi directo:
Se  falasse alemão, mandava-o f….!
O intruso voltou à carga. Pretendia agora saber o que fazíamos.
Somos jornalistas- respondi secamente
Ah! Pelo que vejo a vida não está assim tão má para vocês em Portugal. Pelo menos ainda têm dinheiro para comer bem!
Um espontâneo “Vai p´ró c……” – saiu-me  pela boca fora, a velocidade supersónica, mas ainda tive tempo de cerrar os dentes refrear volume dos decibéis.
O alemão percebeu finalmente que não estávamos a gostar da conversa e calou-se.
Na mesa em frente estava um grupo de espanhóis. Tinham acabado de tomar café e esperavam pela conta. Em cima da mesa uma garrafa de vinho com uma quantidade ainda generosa. Perguntaram-nos se éramos servidos.  Agradecemos a oferta, mas declinámos, porque um copo de vinho é o máximo que nos permitimos beber ao almoço e a quota já estava preenchida.
Renovaram então a oferta,  desta feita ao casal alemão, que estava a beber  água ( ela) e cerveja( ele).
O homem  pegou na garrafa e olhou para o rótulo com ar de entendedor. Tratava-se de uma garrafa de Grão Vasco, vinho medíocre,  mas que o alemão  classificou com um “Gut!!!”, enquanto  pousava a garrafa na mesa com estrondo de trolha e pedia dois copos à empregada.
Nem um agradecimento.
Os espanhóis levantaram-se sem dizer palavra, mas  visivelmente incomodados com tanta falta de educação. Ao passarem pelo homem, apenas disseram com um riso de gozo:
“Nosotros somos PIGS, pero sabemos decir gracias”.
O alemão pediu para traduzir o que eles tinham dito. Traduzi.  Ficou incomodado, mas fingiu indiferença. Levou o copo à boca, fez um brinde com a Frau e vociferou: “Gut”
Nós e os espanhóis rimo-nos. Cúmplices. A aliança dos PIGS  derrotara (moralmente) os  mal educados Schweine

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Lugar aos novos


Trabalhadoras do sexo contribuem para o aumento do PIB, durante o Portugal- Alemanha

Se o país pára para ver o Portugal - Alemanha, é natural que  entreguemos aos mais recentes trabalhadores responsáveis pelo crescimento do PIB, a tarefa de o manter estável durante estas duas horas.
Putas, traficantes de droga e contrabandistas ao trabalho, porque chegou a vossa hora de contribuírem para a salvação do país!

Uma lição de civismo

Foto: Jornal O Jogo

No final do jogo em que foram derrotados pela Costa do Marfim, os adeptos japoneses não saíram a correr do estádio. Antes, ainda estiveram a apanhar o lixo.
Se o futebol fosse mais do que fanatismo e alienação e servisse para promover a educação cívica dos povos, o Japão merecia, desde já, estar na final.  O problema seria encontrar um adversário para jogar...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A ternura dos 40


Uma  amiga completa hoje 40 anos.  À hora do almoço, com vista para o mar da Foz,  dizia-me que  tinha ido ver os Rolling Stones ao Rock in Rio e no dia seguinte, ao  acordar, sentindo-se sem vontade de ir trabalhar, receou  pela primeira vez  entrar nos “entas”, “a fase final da vida”.
Primeiro ri-me. Depois, disse-lhe que estava  na melhor fase da vida e a devia aproveitar bem até aos 60. A partir daí é que as coisas se complicam, pois é raro o dia em que não nos dói qualquer coisa.
Confessei-lhe que  tive o mesmo receio no dia em que fiz 40 anos mas hoje, olhando para trás,  constato que o melhor período da minha vida foi entre os 35 e os 50. Foi a minha fase de ouro, quer em termos profissionais, quer afectivos.
Ela não estava muito convencida. “ Os gajos agora só querem miúdas!  Ninguém liga a quarentonas”- disse-me entre duas gargalhadas.
 Foi então que tirei do bolso um presente que lhe comprara por brincadeira: "A ternura dos 40" do Paco Bandeira. Ela voltou a rir-se e elogiou-me a originalidade. Confessei-lhe que não fui original. Estava em Macau quando fiz 40 anos e duas amigas ofereceram-me uma cassette com gravações de músicas e poemas alusivos aos 40 anos. Paco Bandeira abria o desfile. Fiquei, pois, muito aquém da originalidade das minhas amigas, mas desculpei-me com o facto de hoje em dia já não existirem cassettes.
Depois, mais a sério falei-lhe da  lição que me deu uma namorada vietnamita, quando eu acabara de entrar nos 40

Num amanhecer tropical, entre fogosos amores suados pelo calor húmido de Vanuatu, declarei-lhe fidelidade eterna. Olhou-me com um misto de doçura e compreensão e disse-me no seu linguarejar mesclado de bislama e inglês:
"Depois dos 40 anos podemos amar, dar prazer ao corpo, mas não podemos fazer amigos. Esses são os que cresceram connosco. Eu quero voltar a My Lai, reencontrar os amigos que perdi pelo caminho, tu nunca irias comigo. E se fosses, depressa te vinhas embora, porque não pertences a My Lai, nunca perceberás as pessoas que lá vivem em constante revolta, pelo massacre e abuso de que foram vítimas. Nunca poderás confiar cegamente em pessoas que não fizeram o teu percurso".
Engoli em seco. Lembrei-me que An Mei estava ali comigo, porque na manhã em que os americanos tinham atacado My Lai tinha ido com a mãe ao mercado para comprar comida, escapando assim ao massacre. Meses depois An Mei regressou ao Vietname. Fui até Phukett, durante uma semana,  curtir em álcool as agruras da rejeição. Nunca esqueci aquela manhã. Gostaria de a voltar a encontrar numa dessas curvas da vida. Não por sentir desejo de voltar a amar daquela forma que só a ternura e sabedoria dos 40 alcança, mas para dizer a An Mei que nunca mais esqueci aquela frase e que hoje percebo, melhor do que nunca, que ela tinha razão."

Não sei se consegui convencer a minha amiga de que os 40 são uma idade maravilhosa, mas fez-me bem ter recordado este episódio com An Mei...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Lost in translation

I met a Chinese girl when I was in Shanghai, I asked her if she would escort me for a city tour and asked for her mobile number, so I could call her.
 She got excited and said:
"SEX SEX SEX WANT FREE SEX FOR TO NIGHT".
Wow, I'm guessing this is how Chinese woman expresses hospitality!
But then, my friend interpreted for me and told me what she really said it was: "6 6 6 1 3 6 4 2 9"

domingo, 8 de junho de 2014

Este é o Reino de Portugal

Um livro interessante, onde ficamos a saber como viam Portugal os estrangeiros que nos visitavam nos séculos XVII e XVIII. 
De condenados a políticos, passando por viajantes ou capuchinhos, o livro reporta um manancial de opiniões, num relato escorreito de José Brandão. É engraçado comparar com o que dizem de nós hoje.
Leitura de Verão ou de fim de semana bastante agradável.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Momento de poesia alentejana

Em noite de feroz inspiração, o poeta foi passear pelo campo e, topando  um alentejano que contemplava o luar, disse-lhe:
- És um amante do belo! Acaso já viste também os róseo-dourados dedos da aurora tecendo uma fímbria de luz pelo nascente, ou as sulfurosas ilhotas de sanguíneo vermelho pairando sobre um lago de fogo a esbrasear-se no poente, ou as nuvens como farrapos de brancura obumbrando a lua, que flutua esquiva, sobre um céu soturno?
- Ultimamente, não!... Faz um ano que o médico me proibiu de beber- respondeu o alentejano

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Reflexões ao fim de um dia verde


Assinalou-se hoje o Dia Mundial do Ambiente. O tema mais abordado na comunicação social foi a subida do nível das águas do mar. Decidi, por isso, recuperar um texto escrito há tempos, cuja actualidade se mantém, porque as previsões de há duas décadas se estão a confirmar, ameaçando milhões de pessoas em todo o mundo. 
Alguns países estão sob ameaça de desaparecimento, se a temperatura aumentar , provocando a subida do nível das águas do mar. Nos últimos tempos muito se falou das Maldivas, cujo governo, numa tentativa de alertar o mundo para o perigo de submersão que corre aquele estado-arquipélago , fez uma reunião do Conselho de Ministros debaixo de água. 
 Durante a Cimeira de Copenhaga, foi a vez de uma habitante das ilhas Fiji rebentar em lágrimas quando relatava aos participantes o destino do seu país, se nada fizessem para o salvar. Mais antigo – e porventura por já muitos esquecido- foi o episódio protagonizado em 1999 pelo primeiro –ministro do Tuvalu, Ionatana Ionatana.
Situado algures entre a Austrália e o Hawai, este pequeno país composto por nove ilhotas habitadas habitadas por pouco mais de 10 mil almas, também corre o risco de desaparecer . Em 1999, quando o mundo aguardava, expectante, o “Bug” do ano 2000, Tuvalu foi notícia porque o primeiro-ministro decidiu adiantar os ponteiros do relógio uma hora. Com essa artimanha, Tuvalu passava a ser o primeiro país a entrar no novo milénio, em vez de ser o último e esperava, como retorno, uma grande cobertura mediática.. O estratagema não resultou, tendo Tuvalu sido quase ignorado pelas imagens televisivas que, ao longo de 24 horas, foram mostrando a passagem de milénio em todo o mundo. Meses mais tarde, o PM de Tuvalu dizia que o seu propósito fora apenas chamar a atenção do mundo para o perigo que o país corria, mas poucos foram os órgãos de comunicação social que lhe deram ouvidos.
Na altura publiquei um artigo, na revista de que era editor, sobre Tuvalu. No entanto, não foi este episódio da “dança das horas” a razão do destaque. Acontece que, no início de 2000, chegou-me às mãos uma notícia que achei interessante: o governo de Tuvalu garantia grande parte das suas receitas, graças ao negócio das linhas de telefones eróticas. Comecei a pesquisar algumas curiosidades sobre o país e acabei por descobrir que dias depois do falhado “Bug” chegou a Funafuti ( capital do País) um emissário da empresa californiana Idealab, com o objectivo de adquirir, por 50 milhões de dólares e uma garantia de rendimentos anuais de pelo menos mais 5 milhões, o domínio “.tv” que a UCI ( União Internacional de Comunicações) atribuiu ao país na Internet.
A proposta caiu como “sopa no mel” . Ionatana Ionatana apressou-se a anunciar à pouco alfabetizada população, cujo principal rendimento é a pesca, que as receitas provenientes do acordo seriam aplicadas em infra-estruturas, na melhoria das ligações marítimas entre as ilhas e na educação. O mais curioso é que, naquela época, nenhum dos habitantes de Tuvalu tinha acesso à Internet, desconhecia em absoluto o correio electrónico e o significado de Web.O espaço virtual transformou-se, porém, para os habitantes de Tuvalu na garantia de melhores condições de vida, pelo menos até ao dia em que as águas do Pacífico submirjam definitivamente as pequenas ilhotas, reduzindo-as à dimensão de um país tão virtual como a pequena e abandonada plataforma do Mar do Norte que um dia proclamou a independência, sobrevivendo à custa das receitas proporcionadas pela venda de passaportes diplomáticos de um pais de faz de conta. 
Entretanto, as autoridades de Tuvalu anunciaram que em 2020 o país utilizará exclusivamente energias limpas, de origem solar, hídrica e eólica. Resta saber se isso será suficiente para o manter no mapa. A meia dúzia de anos de se concretizar a previsão, as notícias não são nada animadoras. Cerca de um terço do território do pequeno país já está parcialmente submerso.
Estes exemplos não saõ únicos.No Pacífico e no Índico há muitos territórios paradisíacos como as Maldivas, as Fiji ou Tuvalu ( este não conheço, mas a avaliar pela foto tenho pena...) que correm o risco de desaparecer, graças à incúria dos homens. Serão menos uns quantos destinos de férias paradisíacos para optar. Não vos parece que é uma pena os vossos filhos não os poderem apreciar?

Provérbios do mundo (18)

"A palavra que retens dentro de ti é tua escrava. A que escapa de ti é tua senhora"
(Provérbio persa)

terça-feira, 3 de junho de 2014

When life becomes a Tango


Como todos  saberão, adoro Tango. Sinto, por isso, uma imensa tristeza, por ser um pé de chumbo irrevogável . 
Isso não impediu que a Laura insistisse em me introduzir nos meios tangueros quando eu vivia em Buenos Aires. Debalde. O corpo nunca conseguiu sincronizar-se com o ritmo nascido nas tabernas de La Boca.
Não perdi, no entanto, a oportunidade de participar nas  tertúlias  que proliferavam em Buenos Aires, nos anos em que se começou a preparar a candidatura do Tango a Património Mundial da Humanidade. 
Uma noite, veio à baila a discussão sobre eventuais raízes comuns entre o Fado e o Tango, mote que serviu para um trabalho académico que, anos mais tarde, viria a realizar.
Tive oportunidade de esclarecer os meus amigos argentinos que o Fado era considerado, após o 25 de Abril, como manifestação musical fascista e Amália Rodrigues  acusada por alguns grupos intelectualmente diminuídos,  de ter sido informadora  da PIDE.
A minha intervenção caiu como uma bomba no meio tertuliano, maioritariamente constituído por pessoas de esquerda, mas depressa foi assumida como uma das excentricidades das esquerdas fundamentalistas, pouco lúcidas e aniquilosadas. Tango e Fado seguiram o seu percurso, acabando ambos por ser erigidos a Património Imaterial da Humanidade. Merecidamente.
Vem isto a propósito de uma notícia que me chegou esta manhã, enquanto esperava num consultório médico, a vez de ser atendido: na sequência  do Festival do Fado, que se realizou este fim de semana em Buenos Aires, o dia 6 de Outubro, dia da morte de Amália Rodrigues, passará a ser, na Argentina, o Dia do Fado.
 Os fantasmas foram exorcizados- pensei com os meus botões.
Quando a balzaquiana me chamou para ser atendido, estranhou o meu sorriso e a espontaneidade com que abri a boca para que ela a vasculhasse à vontade. Expliquei-lhe então as razões da minha satisfação e devolveu-me o sorriso. Fugaz, como sempre, mas renovando-me a esperança de que um dia possamos dançar o Tango (…)
Quando saí, liguei o telemóvel. Tinha uma mensagem da Laura. Aprestei-me a responder à chamada, para ouvir de viva voz a sua alegria e poder partilhar com ela o momento. Assim foi. O que eu não esperava era que a notícia viesse acoplada com um convite para estar presente no dia 6 de outubro em Buenos Aires.  Hesitei entre começar a fazer as malas ou voltar atrás para dar a notícia à balzaquiana.  Nem uma coisa nem outra. Continuei a descer a Braancamp e, quando cheguei ao Marquês, entrei no Metro a levitar. 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Está nos livros (7)



A nossa época é horrível porque já não cremos - e não cremos ainda.
O passado desapareceu, do futuro nem alicerces existem.
E aqui estamos nós, sem tecto, entre ruínas, à espera…

Raúl Brandão, Memórias, I, prefácio.