terça-feira, 17 de junho de 2014

Muita cerveja, mas pouco chá...



Na última sexta-feira de Maio, o  trabalho obrigou-me a almoçar na Baixa a horas já um pouco tardias. O fotógrafo que habitualmente me acompanha em reportagem, mais habituado a almoços fora de casa do que eu, sugeriu que fossemos a um restaurante perto do Rossio. Sala cheia. Entre os cerca de  60 comensais,  havia  africanos, asiáticos e europeus de diversas proveniências. Penso que éramos os únicos portugueses.
Sentaram-nos ao lado de um casal alemão. Já o almoço ia a meio, o elemento masculino  resolveu meter conversa.  Começou por se mostrar encantado com o sol de Lisboa e enalteceu a beleza da cidade. Depois acrescentou:
Pena estar um bocado suja! O presidente é socialista, não é?
Logo ali apeteceu-me mandá-lo bardamerda, mas contive-me e, fazendo-me desentendido,  comecei a traduzir  para o fotógrafo (que não tinha percebido patavina), o teor da conversa.
Transmontano de antes quebrar que torcer, não esteve com rodeios e, olhando ostensivamente para o casal, mas falando para mim, foi directo:
Se  falasse alemão, mandava-o f….!
O intruso voltou à carga. Pretendia agora saber o que fazíamos.
Somos jornalistas- respondi secamente
Ah! Pelo que vejo a vida não está assim tão má para vocês em Portugal. Pelo menos ainda têm dinheiro para comer bem!
Um espontâneo “Vai p´ró c……” – saiu-me  pela boca fora, a velocidade supersónica, mas ainda tive tempo de cerrar os dentes refrear volume dos decibéis.
O alemão percebeu finalmente que não estávamos a gostar da conversa e calou-se.
Na mesa em frente estava um grupo de espanhóis. Tinham acabado de tomar café e esperavam pela conta. Em cima da mesa uma garrafa de vinho com uma quantidade ainda generosa. Perguntaram-nos se éramos servidos.  Agradecemos a oferta, mas declinámos, porque um copo de vinho é o máximo que nos permitimos beber ao almoço e a quota já estava preenchida.
Renovaram então a oferta,  desta feita ao casal alemão, que estava a beber  água ( ela) e cerveja( ele).
O homem  pegou na garrafa e olhou para o rótulo com ar de entendedor. Tratava-se de uma garrafa de Grão Vasco, vinho medíocre,  mas que o alemão  classificou com um “Gut!!!”, enquanto  pousava a garrafa na mesa com estrondo de trolha e pedia dois copos à empregada.
Nem um agradecimento.
Os espanhóis levantaram-se sem dizer palavra, mas  visivelmente incomodados com tanta falta de educação. Ao passarem pelo homem, apenas disseram com um riso de gozo:
“Nosotros somos PIGS, pero sabemos decir gracias”.
O alemão pediu para traduzir o que eles tinham dito. Traduzi.  Ficou incomodado, mas fingiu indiferença. Levou o copo à boca, fez um brinde com a Frau e vociferou: “Gut”
Nós e os espanhóis rimo-nos. Cúmplices. A aliança dos PIGS  derrotara (moralmente) os  mal educados Schweine

11 comentários:

  1. O comportamente idiota, imbecil e absurdo do brasileiro PEPE mostrou que NUNCA tomou chá em pequeno!!!

    Carlos, o povo alemão não é responsável que os meninos de coro alemães joguem melhor do que os nossos.

    Os meus familiäres e amigos alemães são MUITÍSSIMO BEM EDUCADOS!!!

    Há pesoas mal educadas em todo o mundo e as piores asneiras que ouvi na minha vida saíram da boca de portugueses!!!

    ACALMA-SE E ACEITE A DERROTA!!!

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    1. Falando em bom português: que tem a ver o cú com as calças, Ematejoca?
      Nem este post é reacção à derrota ( já há umas semanas lhe tinha dito que o ia escrever...) nem estou a tomar o exemplo deste casal como paradigma do comportamento do povo alemão.
      A Mona Lisa interpretou bem o que eu quis transmitir: turistas pé descalço. Apenas isso.
      Agora chegou a minha vez de lhe aconselhar calma,tá? Até porque, como sabe muito bem, também tenho familiares alemães.

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    2. Quando li esta crónica, pensei que era uma vingança.

      Embora tenha ficado piursa com a derrota de Portugal contra a Alemanha, o meu grande amor pelo "meu alemão" é eterno.

      Achei tanta piada a um dos seus comentários que não resisti de o publicar no "ematejoca azul".

      Ao segundo comentário também respondi.

      Ao terceiro comentário ainda não respondi, mas ainda vou responder.

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    3. Com calma li uma vez mais esta sua crónica, Carlos, mas acredite que NUNCA encontrei um alemão grosseiro como este, e já vivo há muitos anos na Alemanha.

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  2. A tentativa de estigmatização do povo alemão (como lhe chama a comunicação social) é ridícula e brejeira e com certeza que não se compadecem com a sua forma de estar na vida. Diga-se em abono da verdade que a educação não escolhe nacionalidades. Sabe porque é que eu afirmo isto? Porque muitos ainda insistem em cuspir no prato onde comem!!!

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  3. Obrigada pelas palavras carinhosas que deixaste no post do aniversário do blog.

    Como sempre, um Gentleman.

    Rápidas melhores, Carlos.

    Beijinhos.

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    1. Foram muito sentidas, Elisa. Acredita!
      Creio que já está tudo ultrapassado. Não foi uma reacção vagal, foi uma súbita quebra de tensão provocada pelo calor.
      Beijinhos

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  4. Bem merecido o "Vai p´ró c……” , sou muito tolerante, mas nesta situações, ou me salta a tampa, ou o desprezo!
    E ficaram felizes ao beberem o vinho dos Espanhois, sem nenhum agradecimento, eu acho uma atitude com falta de educação, mas que me deixam triste, o ser humano é mesmo complicado de entender.

    Beijinho e uma flor

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  5. Gente mal educada que não serve de amostra para o comportamento do povo alemão
    Há cavalgaduras de todas as nacionalidades

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  6. Nem sempre se respeita o país onde se está. Há má e boa educação em todo o lado mas isso não define a generalidade da população. Nem os alemães são todos maus, nem os espanhóis sempre simpáticos.

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