sexta-feira, 27 de junho de 2014

Polícias e ladrões



Ontem regressei a casa pouco antes das 20 horas. Tinha acabado de sair do Metro, quando começo a ouvir gritos femininos: " Pai! Pai! Vem depressa, socorro!Vão-me matar!”
Olho à minha volta mas não vejo nada. Passa por mim um homem a correr. Sigo-lhe os passos com o olhar e vejo um corpo no chão debatendo-se com dois matulões. Quando o homem que passara por mim a correr chega junto dela, o acto estava consumado: uma miúda de 14 anos, minha vizinha, tinha sido despojada do seu porta moedas e do telemóvel. Perante o olhar passivo de um taxista que parou para ver a cena, sem sequer esboçar o gesto de sair do carro.
Chego junto dela, ao mesmo tempo do pai.. Ainda corremos atrás deles, mas a exibição de duas facas rapidamente nos dissuadiu. A miúda chora. Sangra por dentro. Um fio de sangue escorre-lhe pelo nariz. O pai tem a revolta estampada no rosto. Dos seus olhos saem chispas de ódio.
Não interessa para o caso se os assaltantes eram brancos, pretos, amarelos, ciganos ou peles- vermelhas. São dois filhos da puta que vão continuar a sustentar-se à custa de assaltos. Para mim não têm perdão. Foi este modelo de sociedade que os conduziu ao crime? É verdade... mas conheço desgraçados com razões de queixa da vida que os atirou para o desemprego e não foi por isso que passaram a assaltar bancos, ou pessoas na rua...
Reconheço, porém, que os assaltantes tiveram azar. Poderiam ter encontrado o Daniel Oliveira ou o João Miranda que, muito provavelmente, os teriam convidado para jantar e discutir, à volta de uma bacalhoada regada a tinto, e whiskey de digestivo, a barbaridade da polícia portuguesa.
A cena passou-se em Lisboa, no Lumiar, não foi no bairro das Galinheiras, em Camarate, na Quinta da Fonte, nem em Loures. Há quem ache tudo isto muito natural. Eu, que em jovem vinha do Caruncho até à Av das Forças Armadas a pé, às 3 da manhã, com amigas, sem qualquer problema, não acho.

Aviso: Recupero este texto, publicado em 2008, a propósito da sentença do tribunal da Relação de Lisboa que, ontem, reduziu de 9 anos de prisão efectiva, para 4 anos com pena suspensa, a sentença do soldado da GNR, acusado de matar uma criança que tinha sido levada para um assalto pelo próprio pai.

4 comentários:

  1. Para mim também não há perdão nem atenuantes.
    Cadeia e sem mordomias.
    Ainda me irrito mais só de pensar que se canalizam verbas para lhes proporcionar cama, comida e roupa lavada ! o mundo de pernas para o ar.

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  2. Sou da mesma opinião. Sentença é sentença!

    Temo pelo aumento da violência! Tenho pavor de andar à noite na rua!!!

    Beijinhos.

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  3. Considero que esta gentalha que assalta catraios destas idades não tem perdão.

    Quanto ao polícia, estou plenamente de acordo: quem devia ir para a cadeia era o pai da criança, que pelos vistos queria ensinar ao filho a "arte" da malandragem... :P

    Beijocas!

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  4. Mas mantém a indemnização, embora mais reduzida, e que também beneficia o pai do rapaz...

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