quinta-feira, 5 de junho de 2014

Reflexões ao fim de um dia verde


Assinalou-se hoje o Dia Mundial do Ambiente. O tema mais abordado na comunicação social foi a subida do nível das águas do mar. Decidi, por isso, recuperar um texto escrito há tempos, cuja actualidade se mantém, porque as previsões de há duas décadas se estão a confirmar, ameaçando milhões de pessoas em todo o mundo. 
Alguns países estão sob ameaça de desaparecimento, se a temperatura aumentar , provocando a subida do nível das águas do mar. Nos últimos tempos muito se falou das Maldivas, cujo governo, numa tentativa de alertar o mundo para o perigo de submersão que corre aquele estado-arquipélago , fez uma reunião do Conselho de Ministros debaixo de água. 
 Durante a Cimeira de Copenhaga, foi a vez de uma habitante das ilhas Fiji rebentar em lágrimas quando relatava aos participantes o destino do seu país, se nada fizessem para o salvar. Mais antigo – e porventura por já muitos esquecido- foi o episódio protagonizado em 1999 pelo primeiro –ministro do Tuvalu, Ionatana Ionatana.
Situado algures entre a Austrália e o Hawai, este pequeno país composto por nove ilhotas habitadas habitadas por pouco mais de 10 mil almas, também corre o risco de desaparecer . Em 1999, quando o mundo aguardava, expectante, o “Bug” do ano 2000, Tuvalu foi notícia porque o primeiro-ministro decidiu adiantar os ponteiros do relógio uma hora. Com essa artimanha, Tuvalu passava a ser o primeiro país a entrar no novo milénio, em vez de ser o último e esperava, como retorno, uma grande cobertura mediática.. O estratagema não resultou, tendo Tuvalu sido quase ignorado pelas imagens televisivas que, ao longo de 24 horas, foram mostrando a passagem de milénio em todo o mundo. Meses mais tarde, o PM de Tuvalu dizia que o seu propósito fora apenas chamar a atenção do mundo para o perigo que o país corria, mas poucos foram os órgãos de comunicação social que lhe deram ouvidos.
Na altura publiquei um artigo, na revista de que era editor, sobre Tuvalu. No entanto, não foi este episódio da “dança das horas” a razão do destaque. Acontece que, no início de 2000, chegou-me às mãos uma notícia que achei interessante: o governo de Tuvalu garantia grande parte das suas receitas, graças ao negócio das linhas de telefones eróticas. Comecei a pesquisar algumas curiosidades sobre o país e acabei por descobrir que dias depois do falhado “Bug” chegou a Funafuti ( capital do País) um emissário da empresa californiana Idealab, com o objectivo de adquirir, por 50 milhões de dólares e uma garantia de rendimentos anuais de pelo menos mais 5 milhões, o domínio “.tv” que a UCI ( União Internacional de Comunicações) atribuiu ao país na Internet.
A proposta caiu como “sopa no mel” . Ionatana Ionatana apressou-se a anunciar à pouco alfabetizada população, cujo principal rendimento é a pesca, que as receitas provenientes do acordo seriam aplicadas em infra-estruturas, na melhoria das ligações marítimas entre as ilhas e na educação. O mais curioso é que, naquela época, nenhum dos habitantes de Tuvalu tinha acesso à Internet, desconhecia em absoluto o correio electrónico e o significado de Web.O espaço virtual transformou-se, porém, para os habitantes de Tuvalu na garantia de melhores condições de vida, pelo menos até ao dia em que as águas do Pacífico submirjam definitivamente as pequenas ilhotas, reduzindo-as à dimensão de um país tão virtual como a pequena e abandonada plataforma do Mar do Norte que um dia proclamou a independência, sobrevivendo à custa das receitas proporcionadas pela venda de passaportes diplomáticos de um pais de faz de conta. 
Entretanto, as autoridades de Tuvalu anunciaram que em 2020 o país utilizará exclusivamente energias limpas, de origem solar, hídrica e eólica. Resta saber se isso será suficiente para o manter no mapa. A meia dúzia de anos de se concretizar a previsão, as notícias não são nada animadoras. Cerca de um terço do território do pequeno país já está parcialmente submerso.
Estes exemplos não saõ únicos.No Pacífico e no Índico há muitos territórios paradisíacos como as Maldivas, as Fiji ou Tuvalu ( este não conheço, mas a avaliar pela foto tenho pena...) que correm o risco de desaparecer, graças à incúria dos homens. Serão menos uns quantos destinos de férias paradisíacos para optar. Não vos parece que é uma pena os vossos filhos não os poderem apreciar?

1 comentário:

  1. Aqui, a Direcção de Serviços de Protecção Ambiental, fez......pois, não fez porra nenhuma para assinalar o dia.
    Dá vontade de dizer asneiras!

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