sábado, 30 de agosto de 2014

Porque hoje é sábado

Os Velhos

Em suma: somos os velhos,
cheios de cuspo e conselhos,
velhos que ninguém atura
a não ser a literatura.

E outros velhos. (Os novos
afirmam-se por maus modos
com os velhos). Senectude
é tempo não é virtude...

Decorativos? Talvez...
mas por dentro “era uma vez...”

*

Velhas atrozes, saídas
de tugúrios impossíveis,
disparam, raivoso, o dente
contra tudo e toda a gente.

Velhinhas de gargantilha
visitam o neto, a filha,
e levam bombons de creme
ou palitos “de la reine”.

A ler p’lo sistema Braille
ó meus senhores escutai!
um velho tira dos dedos
profecias e enredos.

Outros mijam, fazem esgares,
têm poses e vagares
bem merecidos. Nos jardins,
descansam, depois, os rins.

Aqueles outros (os coitados!)
imaginam-se poupados
pelo tempo, e às escondidas
partem p’ra novas sortidas...

Muito digno, o reformado
perora, e é respeitado
na leitaria: “A mulher
é em casa que se quer!”

Velhotes com mais olhinhos
que tu, fazem recadinhos,
pedem tabaco ao primeiro
e mostram pouco dinheiro...

E os que juntam capicuas
e fotos de mulheres nuas?
E os tontinhos, os gaiteiros,
que usam cravo e põem cheiros?

(Velhos a arrastar a asa
pago bem e vou a casa)

E a velha que se desleixa
e morre sem uma queixa?
E os que armam aos pardais
nessas hortas e quintais?

(Quem acerta co’os botões
deste velho? Venha a cidade
ajudá-lo a abotoar
que não faz nada de mais!)

Velhos, ó meus queridos
velhos,
saltem-me para os joelhos:
vamos brincar?

Alexandre O'Neil


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Agarrem-me senão...


 Hoje tive um mau começo de dia.  No metro para o Oriente, onde  fui apanhar o comboio para o Porto, ouvi uma conversa entre dois jovens engravatinhos e formatados na  escola da pulhice  humana, que me deixou à beira de um ataque de nervos.
Dizia um:
-  Isto de as férias serem um direito é uma estupidez!
Respondia o outro:
- Estupidez não digo, mas lá que um mês de férias é um exagero, não há dúvida. Como ninguém aguenta estar  um mês sem ter nada para fazer, as pessoas tiram férias às pinguinhas... estão em férias todo o ano!
Volta o primeiro:
- As férias são um vício criado pela  sociedade de consumo...
- E fomentada pelo capitalismo urbano, que depois alastrou às classes médias- ajunta o outro
Estava já a ferver e com vontade de os mandar para a PQP, mas ainda tive de ouvir esta pérola:
- Se este governo os tivesse no sítio já tinha reduzido as férias a um máximo de 10 dias úteis. Chega muito bem. O resto é alimentar vícios.
- Não podem! A União Europeia não deixa...
Chegámos ao Oriente. Levantámo-nos os três para sair. Eu fui para o comboio. Os engravatadinhos devem ter mergulhado nos seus gabinetes sem luz natural, onde continuarão a desconhecer o significado da vida.


Bem, mas a verdade é  que há qualquer coisa que me diz que não devo andar de metro por estes dias...

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Pelo afinar da viola se conhece o tocador


Quando entro num transporte público, fujo de alguém que esteja a comer. Não é por nada… mas não gosto de correr riscos.
Na terça -feira, porém, aconteceu aquilo que receava há muito. A carruagem do metropolitano onde  vinha confortavelmente sentado, encheu nas estações seguintes. Numa das paragens, entrou uma jovem, na casa dos vinte e muitos, vistosa e generosamente despida. A blusa  decotada subida na cintura e as calças descidas, mostravam  deliberadamente a lingerie rendada que lhe acariciava os glúteos. 
Na mão trazia um  copo de café fumegante.  Ficou de pé junto a mim. Tirou da carteira o iphone , que segurou com a outra mão.  Comecei a temer o pior.  Receios que aumentaram, quando percebi que a jovem ia completamente absorvida na sua tarefa de teclar, que acompanhava com goles de café absorvidos através de uma palhinha.  
Aquela postura fez-me recuperar a confiança. A miúda tinha experiência  na matéria e dali não vinha qualquer perigo.  Tranquilizado, mergulhei novamente na leitura. Ao chegar ao Saldanha, o  metro não travou com a suavidade habitual. Não foi uma travagem brusca, mas o suficiente para que a miúda se desequilibrasse e  quase caísse no meu colo. Daí não viria grande mal ao mundo… o problema é que  ela conseguiu manter-se em pé, mas o mesmo não aconteceu com o café que se esparramou em cima das minhas calças e da camisa. 
Explodi! Ia ter uma reunião dali a uma hora, não tinha tempo de voltar a casa para me mudar. Vi a atrapalhação dela. As lágrimas  vieram-lhe aos olhos e deve ter feito um enorme esforço para as conter no dique das glândulas lacrimais. Pediu-me mil vezes desculpa, mas  isso de nada me servia. Chamei-lhe inconsciente, por colocar em risco a tranquilidade dos passageiros, com aquele equilíbrio instável.
- Para se andar de transportes públicos também é preciso um bocadinho de civismo e consciência,sabe?
Não respondeu.
Saiu comigo no Saldanha. Pediu-me que esperasse um segundo. Fez uma chamada. Enquanto falava, olhava para mim e dizia qualquer coisa que eu não consegui perceber. Quando desligou, perguntou-me se podia esperar 10 minutos, para ela me resolver o assunto. Perguntei-lhe em tom meio irado, meio jocoso:
Não me diga que me vai lavar e secar a roupa em 10 minutos!
Não. Só lhe peço que tenha calma. Vem aí uma pessoa que lhe vai resolver o problema.  Vamos esperar aqui ao pé das bilheteiras.
- Trabalha longe daqui?- perguntou-me.
- Não!  É só subir as escadas e atravessar a rua. Mas neste estado… 
- Ah! Óptimo!
Passaram pouco mais de 10 minutos. Um homem mais ou menos da minha idade aproximou-se em passo de corrida. 
O motorista vai levá-lo a casa, espera que mude de roupa e depois trá-lo de volta. Entregue-lhe também a roupa que eu encarrego-me de lha mandar entregar onde quiser. No seu escritório, ou em casa. Desculpe, mas é o máximo que posso fazer.
Agradeci a boleia. Despedimo-nos sem acrimónia e dei-lhe o endereço do meu escritório, embora  já tivesse decidido que eu próprio mandaria lavar a roupa. Sentia-me recompensado com a boleia.
A viagem até minha casa decorreu em silêncio. Aproveitei para telefonar, avisando que iria chegar ligeiramente atrasado à reunião.
No regresso, o motorista perguntou-me:
- O senhor conhece a menina há muito tempo?
- Há meia hora- respondi. 
Contei-lhe o que se tinha passado.
“ Coitadinha da menina. Anda muito destrambelhada. O namorado morreu num acidente de automóvel há um mês. Iam casar em Outubro. O senhor doutor era uma joia de pessoa e a menina nem se fala. Conheço-a desde pequenina. Eu era motorista do pai, o senhor doutor F…., não sei se conhecia …faleceu ano passado. 
Não, não conhecia...
Foi a menina que me levou para a empresa, mas quase nunca usa o carro. Gosta de andar nos transportes públicos (risos) Até  me admirei quando ela me chamou com muita urgência!  
Cheguei à reunião ainda a tempo. À hora do almoço, contei o episódio a dois colegas. Já me consegui rir da situação.
Hoje, ao fim da tarde, vieram entregar-me uma encomenda. Um envelope. Abri. 
Ex.mo senhor:
“ Peço mil desculpas pelo incómodo que lhe causei. Se algum dia quiser passar um fim de semana num dos hotéis da cadeia (…)  não hesite em contactar-me. Terei o maior prazer  em conseguir uma tarifa especial. Nunca mais volto a tomar café nos transportes públicos.
Linda menina!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Lamechices? Talvez...


Apesar de viver num bairro onde o comércio é escasso e pouco variado, sempre procurei cultivar o comércio de proximidade. Não só pela relação que gosto de estabelecer com os comerciantes de bairro, mas também pela comodidade que isso permite. Ainda hoje recordo os tempos em que vivia em S. João do Estoril e de ao sábado de manhã pegar no telefone (ainda não havia telemóveis, nem Internet), ligar para o talho, a venda da fruta, a mercearia e, passado algum tempo, ter tudo em casa sem ralações.
Quando regressei a Portugal fui viver para um bairro de Lisboa onde estas mordomias ainda eram possíveis mas, com o decorrer do tempo, os estabelecimentos foram mudando de mãos e os novos proprietários  pouco receptivos a este tipo de “galanteios”. Noutros casos, a mercearia foi substituída por mini mercados, absorvendo a pequena retrosaria, a papelaria e até a loja de venda de jornais.
Gostava do atendimento personalizado do meu bairro onde o sr. Casimiro, cada dia mais solícito, se "enganava" por vezes no peso, mas me recompensava com a afabilidade de um sorriso por trás do qual entrevia a marotice dos 10 gramas de papel adicionados ao peso dos morangos que, pressuroso, me mandava levar a casa.
Gostava do olhar dengoso da Anabela, impingindo-me sempre qualquer coisa de que eu não estava a precisar.
Lembro-me das vezes que a Cristina me levava o pão, encomendado em sábados de manhã chuvosos, acompanhados de “uns biscoitinhos caseiros que são uma delícia” ou “estes croissants acabaram de sair do forno, se não os quiser comer agora enquanto lê o jornal, come-os à tarde com um chazinho, nem precisa aquecer…”
Sim, tenho saudades de me deliciar com estas práticas promocionais evidenciando conhecimento apurado das técnicas de marketing das grandes superfícies. Ali não havia descontos, as promoções eram materializadas em datas festivas com a oferta de caixas de bolachas, bombons, ou garrafas de whisky que me acalentavam o espírito, porque eram oferta de uma pessoa e não de um folheto promocional.
Lamechices? Talvez....
Adenda: Obrigado a todas/os as leitoras/es que me deram uma ajuda no post de ontem. Ao que apurei, com a vossa ajuda e mais algumas pesquisas, parece que o ritual do galo negro é mesmo específico de S. Bartolomeu do Mar ( obrigado, Afrodite). Já a prática dos mergulhos ( que eu próprio fui obrigado a vivenciar) parece que tem âmbito geográfico mais alargado e permanece como prática corrente em várias regiões do país

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Mergulhado num diálogo zen que terminou com uma dúvida!


Depois dos mergulhos as crianças ficam assim

No sábado, seguindo o ritual de todos os dias, a minha mãe perguntou-me:
- Quantos são hoje?
- 24 de Agosto, mãe.
- Tomaste banho?
- Claro que tomei! Porque perguntas? Cheiro mal?
Riu-se. Depois continuou
- A água estava fria?
- Como sempre no Verão, a princípio estava quente, mas no final estava fria. Não dispenso uns segundos de água fria no final do banho, quando estamos no Verão.
- Tomaste banho aqui em Cascais?
- Não, mãe, tomei em Lisboa!
- Em Lisboa? Onde é que tomas banho em Lisboa?
- Em casa, na banheira, mãe... onde havia de ser! 
Voltou a rir-se
- Não era desses banhos que estava a falar. Era do banho de mar!
-  É muito raro tomar banho de mar nestas águas frias, mãe. Em miúdo ainda lá ia, mas agora...
- Então não tomaste banho hoje...
- Não! Porque é que havia de tomar?
- Não disseste que hoje é dia de S. Bartolomeu?
- Não sei, mãe. Sei que é 24 de Agosto...
O semblante dela fechou-se num misto de tristeza e reprovação. 
-Já esqueceste o que te ensinei?
- O quê mãe?
- No dia de S. Bartolomeu deve-se tomar  banho de mar.
- Porquê, mãe?
(Pausa
- Não sei, já me esqueci!

Dez minutos depois voltou a perguntar-me que dia era. O diálogo podia ter-se repetido, mas optei por mentir-lhe. Disse que tinha tomado banho e queixei-me que a água estava gelada. 
- Mas faz-te bem, meu filho. Daqui a uns anos  vais agradecer à tua mãe ter insistido para que tomasses banho neste dia.
Chegou a minha vez de fazer uma pausa. O meu rosto deve ter-se fechado, mas disso não me apercebi.
No domingo fui procurar informações sobre o dia de S. Bartolomeu e fiquei a saber o seguinte:
No dia 24 de Agosto, dia de S. Bartolomeu,  é tradição que todas as crianças sejam obrigadas a dar um número ímpar de mergulhos no mar, para afastar males como a gaguez, a epilepsia e o próprio medo. 
Lembro-me de ter sido sujeito a essas sevícias em miúdo, nas águas geladas de Miramar.  Mas a tradição tem uma segunda parte a que não me lembro de alguma vez ter sido submetido. Depois dos mergulhos, as crianças têm que dar três voltas à igreja, segurando um galo preto.
Pelo que percebi, esta segunda parte só se aplica na povoação de S. Bartolomeu do Mar ( perto de Esposende) mas agradecia aos leitores que pudessem confirmar ou desmentir a  minha suspeita.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Doutores em chocolate?


A Universidade de Cambridge anda à procura de um mestre em chocolate. Segundo um responsável do departamento de química, pretende-se contratar um especialista para descobrir como se pode manter  o chocolate sólido em países com climas quentes.
São mesmo totós, estes bifes!  Precisam de contratar um “doutor” para isso?
Então não se está mesmo  a ver que basta por os chocolates no frigorífico?

Olá,Argentina, buen dia, Buenos Aires!

Nunca ponho açúcar no café (nem no chá), por isso raras vezes reparo nos pacotes de açúcar.
Hoje, porém,  quando fui tomar café a um novo estabelecimento que abriu na Duque d'Ávila, este Bom Dia despertou-me a atenção.
Fiquei cheio de inveja. Como gostaria de ser um dos 6785 portugueses ( ou mesmo o 6786º) a ser contemplado com este Bom Dia. E se pudesse ser em Buenos Aires- onde, presumo, vive a esmagadora maioria dos portugueses residentes na Argentina-  ainda melhor!

sábado, 23 de agosto de 2014

Dou-te um beijo...

... em troca de um Chamoa gelado!...


Sinceramente, não preciso de Chamoa para ter vontade de beijar uma mulher bonita, como se fosse a primeira vez, mas alguém lá pela Feira, que também é conhecida pelas fogaças, terá pensado que era um bom investimento. Ao que parece, cheio de razão, porque as exportações vão de vento em popa! 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

As Cruzadas vistas pelos Árabes

"As Cruzadas vistas pelos Árabes" foi o primeiro livro que li de Amin Maalouf. Amei! Neste perido que atravessamos, é uma leitura que recomendo aos leitores.
 Depois li "Samarcanda". Adorei!
Seguiram-se ( não obrigatoriamente por esta  ordem) "Os jardins de luz", "O século primeiro depois de Beatriz" e "Escalas do Levante".
Todos estes livros são importantes para perceber melhor o que se está a passar no Oriente mas, talvez por ter sido o primeiro, ou por se tratar de um Ensaio, "As Cruzadas vistas pelos Árabes" continua a ser, para mim,  o livro mais importante da obra de Amin Maalouf. 
Já o último, "Origens", não me despertou a atenção e abandonei a leitura ainda antes da página 50. Qualquer dia, talvez faça outra tentativa...

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

By night

Durante três dias, tive o prazer de servir de guia numa cidade mal amada 


Na noite de quinta-feira

   Fomos tomar um copo  ao bar da ponte Pênsil. Música ao vivo e a imagem de Gaia e da Ribeira em fundo
Depois de uma visita guiada à movida da Baixa cada vez mais electrizante
uma volta pela Baixa para fotografar alguns edifícios emblemáticos
 Nos últimos anos os turistas invadiram o Porto
 E os edifícios iluminados deixam-nos em deslumbramento


 Depois , foi  deixar  a noite correr,  nesta cidade cinzenta e triste.

Está bem abelha! Perguntem aos milhares de turistas, de máquina fotográfica em punho, se acham a cidade triste e cinzenta...
Amanhã desço novamente para Lisboa, durante uma semana, mas antes ainda vou  à Praia dos Beijinhos  (tentar) fotografar mais uma vez o pôr do sol.

( Ainda me ando a habituar ao digital e à mínúscula Olympus que agora me companha para todo o lado)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sejamos positivos



Anda toda a gente a queixar-se que este ano não há verão, a água está fria e a nortada não larga a orla costeira. Estão cheios de razão, mas há que ver as coisas pelo lado positivo. Estando o tempo mais fresco, há menos incêndios e poupa-se a Natureza.
Vejam só a quantidade de incêndios que houve durante o fim de semana, quando as temperaturas subiram mais um bocadinho. Os linces da Malcata, por exemplo, devem ter dito mal da vida, logo que as chamas começaram a alastrar pela serra.

Dia Mundial da Fotografia

A resposta era muito fácil e ainda por cima dei uma dica que  tornava a identificação do local ainda mais evidente. A verdade, porém, é que durante a estadia em Verona fiquei a saber que, muito provavelmente, a Julieta nunca existiu e aquela bela história de amor não passou de devaneio de mr William.
Apesar de tudo, a exploração mercantil da lenda corre de feição e os turistas compram toda a espécie de gadgetes alusivos ao casal. 
Obrigado à Rosa dos Ventos, Mona Lisa, Rui da Bica e Pedro Coimbra pela participação.
Especialmente para eles, aqui ficam mais algumas fotografias que  tirei em Verona















E esta é a tal janela onde provavelmente nunca nenhuma Julieta assomou 


...mas, como hoje é Dia Mundial da Fotografia, decidi  assinalar a data com a foto de uma varanda muito famosa. Sabem qual é?
Dou uma ajuda. Tirei a foto em Julho, durante a viagem a Itália.
Já agora, informo os estimados leitores que as fotos de ontem foram tiradas na Praia dos Beijinhos que, provavelmente, muitos saberão onde fica.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Olá!


Ontem o fim da tarde foi assim




Depois de um dia assim
Não, não fui à praia...  não estou de férias, mas de manhã passei por lá,só para ver se havia muitos corajosos. E havia...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Verão de S. Martinho



Segundo a meteorologia, vêm aí  três ou quatro dias de calor. Como as temperaturas das últimas semanas têm sido bastante outonais, deve ser o Verão de S. Martinho. Vou ver se compro umas castanhas e água-pé.
E não se esqueçam que no próximo mês é Natal!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O dinheiro não dá felicidade? Depende do ponto de vista



João Gil, engenheiro informático, era um cidadão igual a tantos outros: levava uma "vida normal". Como a maioria das pessoas, terá mutas vezes suspirado pelo Euromilhões e sonhado "mudar de vida" se a sorte o bafejasse um dia.  
Em 2010, andou lá perto. Ganhou um segundo prémio no valor de 600 mil euros. Tinha 42 anos e uma vida à sua frente para mudar.
A sua vida mudou, mas Gil escolheu o caminho errado. Passou a frequentar casas de strip e casinos. Estoirou o dinheiro em apenas dois anos. Foi viver para um quarto.
Em Agosto de 2013 matou a senhoria. Ontem  foi condenado a 22 anos de prisão.
O dinheiro pode dar felicidade, mas ser feliz dá muito trabalho. É preciso ter cabeça. João Gil não teve. Perdeu a cabeça, a liberdade e uma vida. Aos 46 anos, ainda com tanto tempo para viver...

Esta é a análise simplista mas, com mais detalhes, a história permite outra visão:

João Gil era um homem bom e generoso, mas tinha problemas psíquicos. Relacionamento difícil. A sua vida era um pequeno inferno interior.

"Dinheiro do jogo é dinheiro do Demónio"- dizem alguns - e o Demo tentou-o ao oferecer-lhe um prémio de 600 mil euros. Psicologicamente frágil, João caiu nas teias do Demo e entrou numa vida de perversão. Mulheres, jogo, talvez álcool em excesso. Estava desempregado e não pagava a renda há dois meses. A senhoria não reclamou, mas João decidiu que o melhor era regressar a casa dos pais.  Na hora da despedida, houve beijos e abraços, mas a senhoria  pronunciou a frase maldita que a havia de condenar à morte:
- "Segue o caminho de Deus, João"
O demo que habitava em João não gostou e revoltou-se. Obrigou-o a voltar atrás e dar uma chapada na velhota. Depois desferiu-lhe 16 facadas. Meteu o corpo na banheira e foi para casa dos pais onde esteve até ser confrontado pelos pais com uma notícia do CM que o apontava como suspeito do crime. Negou. A noite saiu de casa pela calada. Foi para Cascais. Pensava suicidar-se. O Demo não se satisfez com a resignação. Impediu-o de consumar o suicídio. João foi preso três dias depois.

Vista por este prisma, a história de João Gil é um bom argumento para um livro. De Paulo Coelho, obviamente...



terça-feira, 12 de agosto de 2014

La vie en rose



Acham que La vie en rose é uma coisa boa, é? Ora então pensem nisto
La vie en rose começa aos 60 ( ou até antes...), com várias coisas más :
 cir’Rose, ostéopo’Rose, art’Rose, nev’Rose, artériosclé’Rose, fib’Rose, etc.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

They will always love Paris! Do they?



Paris Hilton chegou hoje  a Portugal. Logo à noite vai estar  numa discoteca  em Vilamoura  a carregar num botão.  Amanhã, ou numa das próximas noites, vai estar em Ofir, na discoteca Pacha, durante mais uma hora a fazer o mesmo.
Não se sabe quanto vem ganhar Paris Hilton a Portugal, mas é conhecido o cachet que recebeu em Espanha: 260 mil euros por hora!
Chamem a isto regras de mercado, poder das celebridades, fama, ou o que quiserem. Para mim tem apenas um nome: obscenidade!

sábado, 9 de agosto de 2014

Porque hoje é sábado

A bilha de gás

A última bilha de gás durou dois meses e três dias,
com o gás dos últimos dias podia ter-me suicidado,
mas eis que se foram os três dias e estou aquie
só tenho a dizer que não sei como arranjar dinheiro para outra bilha,
Se vendessem o gás a retalho comprava apenas o gás da morte,
e mesmo assim tinha de comprá-lo fiado,
não sei o que vai ser da minha vida,
tão cara, Deus meu, que está a morte,
porque já não me fiam nada onde comprava tudo,
mesmo coisas rápidas,
se fosse judeu e se com um pouco de jeito isto por aqui acabasse nazi,
já seria mais fácil,
como diria o outro: a minha vida longa por muito pouco,
uma bilha de gás,
a minha vida quotidiana e a eternidade que já ouvi dizer que a habita e move,
não me queixo de nada no mundo senão do preço das bilhas de gás,
ou então de já mas não venderem fiado
e a pagar um dia a conta toda por junto:
corpo e alma e bilhas de gás na eternidade
- e dizem-me que há tanto gás por esse mundo fora,
países inteiros cheios de gás por baixo!

Herberto Hélder

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Que mal fiz eu a Deus?

Para levar com o Cristiano Ronaldo em cuecas, enquanto estava a tomar um copo numa esplanada do Terreiro do Paço?

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A hora das Sereias

Sara Carbonero esteve no Algarve a passar uns dias de férias com o namorado Iker Casillas. Por esses dias escreveu no seu blog que às vezes, ao final da tarde vê sereias na praia. Esta confissão foi notícia de jornal.
Dir-se-á que é uma notícia típica da silly season. Discordo. Em primeiro lugar, porque este ano não vi ainda sinais de silly season.
Em segundo, porque eu vejo todos os dias sereias e nem sequer vou à praia. Vejo-as no Metro, na rua, nos restaurantes, nas esplanadas. No entanto, isso não é notícia. Porque será?

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Quando a preguiça ataca...

Não é meu hábito divulgar as fotos das  minhas férias...
...mas quando a preguiça bate à porta e as fotos estão à mão, é uma tentação... 



Como depois de Firenze, troquei o comboio por quatro rodas  para dar umas voltas pela Toscana e Ligúria....



...aproveito para vos mostrar algumas fotos de  Siena

Não estive apenas na praça cuja história a maioria conhecerá...


Também fui à Catedral....
 ...antes de vaguear pelas ruas da cidade...
...onde apenas estivera uma vez de passagem e sem tempo para "me perder"
No dia seguinte a viagem continuou pela Toscânia ( ou Toscana, como preferirem), mas  isso fica para outro dia. Ou talvez não...

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Caminhos cruzados


E depois, ainda há os automobilistas que decidem estacionar em cima dos passeios

Seguia pelo passeio estreito e irregular de calçada portuguesa, onde duas pessoas não se cruzam.
Em sentido contrário vinha um homem  olhando para o telemóvel e soltando gargalhadas.
Quando nos estávamos quase a cruzar decidi descer do passeio para evitar o embate, mas um autocarro circulando no mesmo sentido impediu-me. Parei e  apenas tive tempo de dizer ao homem que , distraído, estava em vias de me abalroar:
Cuidado!
Tarde demais. Ele assustou-se, o telemóvel saltou-lhe das mãos e caiu num bueiro*.
As gargalhadas transformaram-se em estupor e desespero. Tive pena dele, mas que podia eu fazer?
* Para quem não saiba, bueiro significa sarjeta