sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Aux boulevards de Paris




Não vou dizer que conheço Paris como a palma das minhas mãos, mas conheço suficientemente bem, para não precisar de andar de mapa na mão.
Apesar de não ser amor antigo, há mais de 40 anos que Paris entrou na minha vida. Quando vivia em Londres, ia frequentemente passar lá fins de semana, para prolongar memórias de Verão na companhia de amizades construídas nas areias então límpidas de Benidorm.
Na altura, Paris era sinónimo de diversão, mas também de liberdade. Só nos anos 90  percebi que me tinha apaixonado por Paris. Foi a partir dessa década que, à custa de muito a palmilhar, lhe descobri os encantos escondidos  e dispensei mapas para a percorrer de lés a lés.  De Montmartre ao Quartier Latin, de Saint Denis a Saint Germain,  Paris é hoje para mim um livro aberto sem grandes segredos para descobrir.
Nesta última visita passaram-se alguns episódios que me permitiram perceber melhor a crise que  avassala França. Não só o número de mendigos aumentou, como a abordagem a turistas com truques de apanha papalvos se multiplicam. E há cenas que não estava habituado a presenciar.
Foi o que aconteceu, por exemplo, quando uma manhã seguia pela Sebastopol em direcção à Praça de Vendôme. Um grupo de jovens africanos seguia à minha frente. Transbordantes de alegria,  libertavam a sua energia em passos de dança que encurtavam a caminhada.
A determinada altura pararam em frente a um supermercado.  Na rua alinhavam-se palettes de iogurtes e pacotes de leite. Os jovens pegaram em algumas caixas. De imediato abriram algumas embalagens, que começaram a beber.  Prosseguindo o seu caminho, iam repartindo  a carga com os mendigos, que de imediato sorviam iogurtes e leite.
Não resisti a pedir-lhes uma explicação para o seu gesto. Disseram-me que desde há uns tempos se tornou habitual alguns supermercados deixarem nas ruas os produtos perecíveis, quando atingem o último dia do prazo de validade. Quem passar, é só servir-se.
E depois, redistribuir, como eles estavam a fazer- pensei.


4 comentários:

  1. Já vi fazer o mesmo nas traseiras do Lidl, não sei se é comum mas já assisti.
    xx

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  2. Aqui em Portugal nunca vi...

    Tristeza !!

    Bons sonhos, amigo

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  3. Aqui, deitam para o lixo...

    Triste país!!!

    Beijinhos.

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  4. Uma atitude louvável! os produtos com validade vencida nem todos ficam perigosos para consumo imediato. E dá uma ajudinha a quem precisa .
    Uma ideia a difundir.
    Paris é ainda um sonho de consumo meu!! independente do 'meu 'prazo de validade rsrs
    abraço

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