segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A minha descoberta literária de 2014


Não sei quantos livros li este ano. Sei que razões profissionais me obrigaram a ler  alguns livros históricos e técnicos que não entram para a contabilidade, pelo que 2014 não foi dos anos mais profícuos em matéria de leitura de romances . Sei, também, que para além de  ter lido Murakami, Kawakami, Zimmler, Sepúlveda, Kadaré, Tchekov,  Lobo Antunes, Patrícia Reis, os dois últimos prémios Leya, Avilez Ogando, Brandão, Lídia Jorge, Ana Sofia Fonseca e relido "O Livro de Areia" de Borges, alguns contos de Garcia Marquez  e outros livros que não deixaram a sua impressão digital na minha memória, descobri dois livros de uma escritora portuguesa que me fascinaram.
Já a conhecia e admirava como jornalista, que conheci pessoalmente no dia em que recebeu o Prémio Gazeta de Jornalismo. Pela prosa escorreita e cortante vertida em reportagens ou crónicas, pela sua forma diferente de mostrar a realidade, pela capacidade de transmitir emoções,a escrita de Alexandra Lucas Coelho sempre me empolgou.
No princípio do ano li o seu primeiro romance (" E a Noite Roda") que lhe valeu o prémio da APE e o reconhecimento de muitos portugueses pela frontalidade com que dardejou Cavaco, no dia da cerimónia

" E a Noite Roda" é um livro sobre o amor e a guerra. Sobre encontros e desencontros, mas também sobre os acasos que acabam por ser mais determinantes nas nossas vidas do que os planos que fazemos.  E é assim que  o leitor descobre que aquilo que parecia ser uma história de guerra (Alexandra Lucas Coelho tem alguma prosa publicada nessa matéria) acaba por ser uma história de amor com um cenário de guerra em pano de fundo. 
Ao contrário da história, a estreia de ALC na ficção teve um final feliz.   Mas se- como ela própria escreve- " as histórias felizes são relâmpagos" a escrita de ALC é uma trovoada  tropical que abala os alicerces convencionais da linguagem literária.
No final do ano, o  segundo livro de Alexandra Lucas Coelho chegou-me em forma de presente de Natal. 

Fazendo jus ao título,( "O meu amante de domingo")  comecei a lê-lo domingo à tarde e acabei-o ao final da noite. São 170 páginas de uma crueldade amorosa  implacável, onde a gargalhada e o nó na garganta vão acompanhando o ritmo da protagonista, uma mulher de 50 anos que se quer vingar de uma traição amorosa. Um verdadeiro western amoroso, onde não falta um cáuboi e os cavalos trotam o asfalto alentejano dentro da armadura de um Lada.
Numa linguagem desbragada e  sem tabus onde o palavrão surge com  naturalidade, alternando  com descrições de uma beleza e sensibilidade  tocantes, ALC intoduz-nos no mundo de uma mulher de 50 anos  que se quer vingar de uma traição amorosa. E fá-lo sem contemplações. Em capítulos curtos vai-nos servindo o veneno com  que urde as tramas da vingança, enquanto faz uma incursão a Nelson Rodrigues  e se envolve numa relação dominical com um mecânico.  Quando acabei de ler, ainda influenciado pelo vernáculo da sua escrita, saiu-me  um " Puta que pariu! Esta gaja escreve bem cumó ca#@£#o!"
Se virem por aí uma mulher loira de estatura meã, revisora literária, que trocou o Canidelo natal pelo Alentejo e viaja todos os domingos para Lisboa no seu Lada para dar de comer ao cão de uma amiga, fazer umas piscinas e ter sexo com um mecânico, tenham cuidado. Essa mulher é perigosa! 
Quanto à leitura... é imperdível. Sem reticências, nem pontos de exclamação. 

5 comentários:

  1. Vou seguir a recomendação de leitura. Fiquei curiosa. :)

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  2. Lá tenho de me meter em despesas....

    (Mas nada de dizer que este ano não foi muito produtivo em termos de leituras... Bolas, bolas! Com esses nomes todos que referiu, não se pode dizer que foi ano de poucas leituras!

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  3. Ainda não conheço a obra da autora.
    Vou procurar ler

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  4. Bem, eu cá sou uma fã de literatura, e segundo a minha mãe, uma papa livros. Pena que agora não possa ler nenhum, razões de força maior :) Não conhecia essa autora, mas gostei do que li aqui sobre ela e fiquei com a pulga atrás da orelha.
    Quanto ao comentário, senti-me lisonjeada e feliz quando o li, por isso um muito obrigada e eu também vou voltar mais vezes, aliás, já o sigo para poder ficar a par das atualizaçõoes.
    Um bom 2015. Beijinhos

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  5. ~ ~ Não vou perder! Gratíssima.


    ~ ~ ~ Um Ano Novo auspicioso em Saúde, Paz, Harmonia e Venturas. ~ ~ ~

    ~ ~ ~ ~ Grande abraço amigo. ~ ~ ~ ~

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