sábado, 28 de fevereiro de 2015

Galinhas e Rainhas


Quem não conhece a expressão “nem sempre galinha, nem sempre rainha”?

O que muitos não saberão é que a origem dessa expressão é atribuída ao rei D. João V, conhecido nos manuais da história pelo “Magnânimo” mas também conhecido pelo “Freirático” por causa da sua apetência sexual por freiras.

Ficou célebre o seu tórrido romance com a Madre Paula, do mosteiro de S. Dinis em Odivelas, com quem teve vários filhos, os quais educou esmeradamente, ficando conhecidos pelos Meninos de Palhavã, porque residiam em Palhavã, no Palácio onde actualmente funciona a embaixada de Espanha em Lisboa.

A rainha era austríaca e muito feia, ao contrário do rei que era bem apessoado, talvez por isso o rei procurava outras companhias mais agradáveis. A rainha sentindo-se rejeitada ter-se-à queixado ao padre seu confessor.

Um dia o padre chamou o rei à razão. Então o rei ordenou ao cozinheiro que a partir desse dia, o padre passaria a comer todos os dias galinha. 
Nos primeiros dias o padre até ficou satisfeito e deliciado com o menu. 
Mas passado três meses o homem andava agoniado e magro que nem um caniço, indo-se queixar ao rei, de que o cozinheiro só lhe dava galinha.
Foi quando o rei com ar de malícia lhe disse.

- Pois é senhor padre! 
Nem sempre galinha, nem sempre rainha...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Saudades

Não sei se a culpa é deste belo dia de sol



ou de um encontro inesperado


Hoje estou com saudades da minha gente

 Do Cafe Tortoni

Da Plaza Dorrego


  Do " meu" Palermo Viejo


E do Tango

                    
Tenham um excelente Fim de semana

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Vidas normais



Não, este post não é sobre o magnífico filme de Mel Ferrer ( Contos de Uma vida Normal) em sobre o livro de Charles Bukowski  ( Histórias de loucura normal), embora sobre este escritor germano-americano ande a pensar escrever um post desde que acabei de ler o seu último livro
O tema deste post é sobre  uma dúvida metafísica que me tem atormentado nos últimos tempos.
Sempre que as televisões querem saber a opinião dos vizinhos de um homicida, um incendiário, um violador, ou um bêbado que “cometeu um acto tresloucado”, sou surpreendido por declarações que entroncam num denominador comum: "ele/ela era uma pessoa normal e  tinha/levava uma vida normal".
Quando as revistas cor de rosa entrevistam uma qualquer estrela emergente, há a pergunta sacramental: como é que a fama mudou a sua vida?
E a resposta, quiçá já padronizada por agentes de estrelas emergentes, salvo raras excepções, é: sou uma pessoa normal, igual às outras, e continuo a levar a minha  vida normal.
Ora a minha dúvida metafísica, que gostaria ver desfeita pelos meus leitores é a seguinte: 
- Mas que raio é ter uma vida normal? 
E já agora, mais difícil ainda: o que é uma pessoa normal? 
Eu serei uma pessoa normal? E o leitor sente-se uma pessoa normal?
Espero que compreendam o problema. É que com tanta gente normal eu, que nunca matei, não sou incendiário, violador, nem pedófilo e muito menos uma estrela, começo a pensar se não serei uma pessoa anormal. E o pior é que começo a acreditar que não ser normal é uma boa notícia. Pelo menos para mim.

Those were the days (10)


Nem precisa de apresentações, pois não?
Taj Mahal, ao amanhecer

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Beija-me depressa!


Na sequência do post que ontem aqui escrevi sobre  Aveiro, capital dos beijos e abraços, lembrei-me desta iguaria nabantina  que tem o sugestivo nome de "Beija-me Depressa".
Quando estava em Tomar a cumprir serviço militar,  respondia ao apelo com muito prazer!...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Beijos e Abraços



Há tempos, li um estudo sobre a importância do abraço na melhoria da qualidade de vida.
Segundo o estudo são várias as vantagens de um abraço, das quais destaco as seguintes: aumenta a felicidade das pessoas, fá-las sentir mais sexy, reduz o stresse e ajuda as pessoas a comunicarem
Na altura escrevi que isso explicava a razão de os portuenses serem, normalmente, pessoas felizes e com a auto-estima em alta. É que no   Porto, na Freguesia de Campanhã, existe uma Rua dos Abraços. Posteriormente, uma pesquisa no Google permitiu-me descobrir a existência de outras Ruas dos Abraços em localidades tão distantes como Armação de Pêra, Mesão Frio, ou Vila Nova de Gaia. 
Se hoje trago o tema dos abraços à colação, é porque fiquei a saber que em Aveiro está a desenvolver-se este movimento, que eleva a bela cidade dos ovos moles a capital dos beijos e dos abraços.
Sinceramente pareceu-me uma excelente ideia mas, como Aveiro não fica à distância de um clique e as portagens estão caras, tomo a liberdade de vos sugerir uma forma mais célere e barata para desfrutarem das vantagens de um abraço.
Visitem o Pinta Amores, vejam as mensagens publicadas pela Luísa e aproveitem para abraçar alguém que tenham por perto.
( Podem acompanhar a visita ouvindo a canção que  acompanha este post).

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

À noite no sofá





Foi longa a noite de atribuição dos Óscares. Frente ao sofá, sem pipocas, mas com chá de jasmim e uns amuse bouche para entreter. Quando pelas 6 da manhã acabou a cerimónia, fui deitar-me com a sensação de dejá vu. 
Além de não ter havido surpresas e os resultados terem sido muito similares aos que eu previra aqui, a noite foi enfadonha. Confesso que cheguei a dormitar perante tanta sensaboria. 
No final, a decepção por Boyhood ter levado apenas uma estatueta. Patrícia Arquette ( melhor actriz secundária) protagonizou, porém, um dos momentos mais vibrantes da noite.
 Melhor filme e melhor realizador deveriam ter sido repartidos e Linklater levado o Óscar para melhor realizador. 
Cumberbatch ( O Jogo da Imitação)  teve o azar de  enfrentar Eddie Redmayne ( A Teoria de Tudo). Apesar de ser muito difícil, acreditei sempre que ele iria ser a surpresa da noite. E merecia.
Grande Hotel Budapeste em destaque, apesar de só ter conseguido Óscares nas áreas técnicas. 
A melhor canção foi Glory ( Selma). Ficou bem entregue
Destaque ainda para a grande vitória do cinema independente, que derrotou uma vez mais os grandes estúdios. 
Acabou a festa de Hollywood 2015. Venha a próxima.
Entretanto, ainda andam por aí muitos bons filmes para ver. Aproveitem!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Quem quer casar com a Carochinha?




Que faria se, durante a cerimónia de casamento descobrisse que o seu noivo era epiléptico?
A pergunta não é especulativa. Aconteceu mesmo.
Um noivo, talvez demasiado emocionado, teve um ataque epiléptico  durante a cerimónia de casamento e foi do altar directamente para o hospital. Furiosa, porque desconhecia a doença do futuro marido, mas com um sentido prático notável, a noiva encontrou uma solução rápida. Para aproveitar o vestido e não desperdiçar o dinheiro do banquete, casou com um convidado.
Não acredita? Então leia aqui

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Momento Playboy


Há dias, a AFRODITE ofereceu aos seus leitores este momento de animação Penthouse.
Hoje, decidi elevar  a fasquia e deixar os leitores do On the rocks em êxtase, com estes modelos que posaram para a Playboy em 1890. 








Espero não vos ter chocado com estas indecorosas fotos mas, se tal tiver acontecido, penitencio-me e recomendo-vos que se liguem ao post da  AFRODITE, bastante mais soft.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Agora estou muito mais descansado

Desde há uns tempos a esta parte que andava preocupado porque :

1. Não me recordava de alguns nomes próprios ;
2. Não  me recordava onde deixava algumas coisas ;
3. Quando estou a conversar e tenho que interromper o pensamento, por ser interrompido, tenho dificuldade de continuar a conversa no ponto em que a tinha deixado.

Enfim, creio que começava a pensar que tinha um inimigo dentro da minha cabeça, cujo nome começa por Alz...

Hoje li um artigo que me deixou bem mais tranquilo, por isso passo a transcrever a parte mais interessante :

" Se tens consciência dos teus problemas de memória, então é porque
ainda não tens problemas."

Existe um termo médico que se chama ANOSOGNOSIA, que é a situação em que tu não te recordas temporariamente de alguma coisa. Metade dos maiores de 50 anos, apresentam algumas falhas deste tipo, mas é mais um facto relacionado com a idade do que com a doença.

Queixar-se de falhas de memória, é uma situação muito comum em pessoas com 50 ou mais anos de idade.
É o caso de a falha se traduzir por não recordar um nome próprio, entrar numa divisão da casa e esquecer-se do que se ia lá fazer ou buscar, esquecer o título de um filme , actor ou canção, não se lembrar onde deixou os óculos,etc. etc..

Muitas pessoas preocupam-se, muitas vezes em excesso, por este tipo deesquecimento. Daí uma informação importante :

“Quem tem consciência de ter este tipo de esquecimento, é todo aquele que não tem problemas sério de memória”. 
Todos aqueles que padecem de doença de memória, com o inevitável fantasma de Alzeimer, são todos aqueles que não têm consciência do que efectivamente se passa.

Dubois, professor de neurología da CHU Pitié-Salpêtrière ,encontrou uma engraçada e didática explicação, válida para a maioria dos casos, de pessoas que estão preocupadas com os seus esquecimentos:
"Quanto mais se queixam dos seus problemas de memória, menos possibilidades têm de sofrer de uma doença de memória".

Este documento é dedicado a  todos os esquecidos de que me recordo.
Se esquecerem de o compartilhar, não se preocupem porque não será Alzeimer... 

( Os meus agradecimentos ao leitor BS que me enviou este texto por  e-mail)

Those were the days (9)


Golden Triangle 
Neste ponto se encontram a Tailândia, o Laos e Myanmar ( ex- Birmânia)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Olhai senhores (2)




Porto, Praça D. João I, 1965
O Banco Português do Atlântico criava, com grande espavento, um novo serviço para operações bancárias. Um posto electrónico que permitia fazer operações bancárias sem sair do carro.
Vá ao banco sem sair do carro! O BPA tem o prazer de lhe oferecer o seu novo serviço TELEBANCO – anunciava a publicidade. Foi um sucesso, como a foto mostra.
Só vinte anos mais tarde apareceria o Multibanco

Veja mais em : Porto Esquecido

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Elementar, meu caro Watson





Sherlock Holmes e Watson vão acampar.
Montam a tenda e, depois de uma boa refeição e uma garrafa de vinho, deitam-se para dormir.
Algumas horas depois, Holmes acorda e diz para o seu fiel amigo:
-- Meu caro Watson, olhe para cima e diga-me o que vê.
Watson responde:
-- Vejo milhares e milhares de estrelas.
Holmes, então, pergunta:
-- E o que isso significa?
Watson pondera por um minuto, depois enumera:
1. Astronomicamente, significa que há milhares e milhares de galáxias e, potencialmente, biliões de planetas.
2. Astrologicamente, observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de sorte.
3. Temporalmente, deduzo que são aproximadamente 03 horas e 15 minutos pela altura em que se encontra a Estrela Polar.
4. Teologicamente, posso ver que Deus é todo-poderoso e somos pequenos e insignificantes.
5. Meteorologicamente, suspeito que teremos um lindo dia.
Correcto?

Holmes fica um minuto em silêncio e diz:
-- Irra Watson! E por acaso não viu que nos gamaram a tenda?!!...

Moral da história: A vida é simples, nós é que a complicamos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Que bela soneca!




Que se pode dizer de um filme quando, três horas e meia depois de nos termos sentado diante do ecrã,  lamentamos que tenha chegado ao fim?
Foi o que me aconteceu com “Sono de Inverno” um dos mais belos filmes que vi nos últimos tempos. Eu sei que as soberbas imagens da Anatólia, coberta por  espesso manto de neve, ajudam, mas naquela tarde gélida de sábado  no Nimas, senti-me transportado para dentro do ecrã  e sentei-me à lareira em conversa com os protagonistas ou, sentado no banco de trás de um jeep, com eles percorri as estradas geladas do planalto.
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes “Sono de Inverno” é um filme de um realizador turco (Nurt Ceylan) que apela aos sentidos e  desperta os neurónios com uma intensidade raras vezes conseguida, desde os tempos dos míticos Bergman, Kubrick, Resnais, Godard, ou Fassbinder,  que me proporcionaram alguns dos melhores filmes da minha vida.
"Sono de Inverno" é mais do que o retrato de um choque de culturas ou de classes.. É um filme sobre a condição humana e as suas formas de vida. “Por acaso” passa-se na Turquia, mas  o palco poderia ser Nova Iorque, Buenos Aires, ou Paris, porque a história, baseada num conto de Tchekov, esse contador de histórias sublime, é universal.
Escrever resumidamente sobre “Sono de Inverno” não é tarefa nada fácil. O filme suscita um sem número de questões que entroncam umas nas outras e tentar resumir, é amputar o filme da sua globalidade. Não corro esse risco. Opto, assim, por vos deixar um excerto do roteiro que encontrei no folheto promocional e faz parte do diálogo entre o protagonista (Aydin, actor reformado e rico) e a sua jovem mulher (Nihal desapaixonada, desiludida e em busca de afirmação pessoal):

“ É verdade. És um homem culto, justo, honesto e consciencioso. Mas às vezes usas essas virtudes para sufocar as pessoas, para esmagar e humilhar. Os teus elevados princípios levam-te a odiar o mundo. Odeias os crentes porque para ti acreditar é um sinal de subdesenvolvimento e ignorância. Mas também odeias os não crentes pela sua falta de fé e de ideais. Criticas os velhos por serem fanáticos conservadores e por não pensarem livremente. E criticas os novos por pensarem livremente e abandonarem as tradições. Defendes as virtudes da comunidade, mas suspeitas que todos possam ser ladrões e bandidos, por isso também odeias o povo. Odeias praticamente toda a gente. Por uma vez que fosse, gostava que defendesses qualquer coisa que não te beneficiasse e tivesses sentimentos que não te favorecessem. Mas não é possível.”

Digam lá se isto não é universal. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

New Kid(s) on the block




Junto a um parquímetro, um jovem interpela-me:
- O senhor sabe se eles aqui blocam?
- Desculpe… não estou a perceber…
- Se eles, a polícia, bloca os carros.
- Ah! Não, aqui quase ninguém bloca. Normalmente só passam multas.
- Ah, isso não é problema, obrigado!
- Mas cuidado, porque às vezes também há uns tipos que passam por aqui e bloqueiam os carros.
O jovem fica a olhar para mim durante uns segundos com um ar de espanto. Finalmente, como se tivesse descoberto a pólvora, solta uma gargalhada e diz:
- Essa está boa! Onde é que o senhor foi buscar essa palavra?
- Qual? Bloqueiam?
- Sim isso…
- Ao presente do indicativo do verbo bloquear. Terceira pessoa do plural
- Bem diz a minha mãe que nós estamos sempre a aprender com os velhos.
E lá foi, feliz da vida, sem pôr a moeda no parquímetro.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Iremos ter agradáveis surpresas?




Há dias escrevi aqui sobre Grande Hotel Budapeste, filme que considerei uma agradável surpresa. Não esperava era que  vencesse cinco prémios BAFTA.
Um dos meus filmes favoritos para o Óscar de melhor filme (Boyhood) também venceu três BAFTA: melhor filme, melhor realizador e melhor actriz secundária. Merecidíssimos.
Será  que Hollywood nos reserva uma agradável surpresa e não vai premiar a chachada chauvinista Americam Sniper e resistir a galardoar Selma? ( Este um bom filme, mas cuja nomeação para Óscar do melhor filme me custa um bocado a engolir).
Já só faltam duas semanas para sabermos.

Those were the days (9)


Anos 60. Idade:18. Sozinho em Londres, com a minha Kodak Instamatic que registou o momento.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Espelho meu. Quem é mais inteligente do que eu?




"Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todosos soldados, e consegui 160 pontos.
A média era 100.
Ninguém na base tinha visto uma nota daquelas e durante duas horas eu fui o assunto principal.
(No entanto, não significou nada – no dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP –Kitchen Police)

Durante toda minha vida consegui notas como aquela, o que sempre me deu uma ideia de que eu era realmente muito inteligente. E eu imaginava que as outras pessoas também achavam isso.

Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder a um tipo específico de perguntas académicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência e que, provavelmente, têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?

Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar num teste destes. Acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente do que ele.
Mas, quando acontecia alguma coisa no meu carro e eu precisava de alguémpara dar um jeito, era ele que eu procurava. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos.
No fim, ele acabava sempre por consertar o meu carro.

Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico. Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse umacadémico. Em qualquer desses testes eu comprovaria a minha total ignorância e estupidez. 

Num mundo onde eu não pudesse me valer do meu treino académico ou do´meu talento com as palavras e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou desembaraçar alguma coisa complicada eu dar-me-ia muito mal. A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.

Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez.
Ele adorava contar piadas.
Uma vez ele levantou a sua cabeça por cima do capot do meu carro e
perguntou-me:
“Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse a segurar um prego invisível e com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele abanou a cabeça de um lado para o outro
negativamente e apontou para os dedos no balcão. Então, o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego. Ele queria comprar uma tesoura. Como é que o senhor acha que ele fez?”
Eu levantei minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como se fosse uma tesoura.
“Mas o senhor é mesmo muito burro! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir a tesoura!”
Enquanto gargalhava, o meu mecânico disse:
“Hoje, estou a fazer esta partida a todos os clientes.”
“E muitos caíram?” perguntei esperançoso.
“Alguns. Mas com o senhor eu tinha a certeza absoluta que ia funcionar”.
“Ah sim? Por quê?”
“Como o senhor doutor tem muito estudo, eu sabia que não seria muito esperto”
E algo dentro de mim dizia que ele tinha alguma razão em tudo isto.

(tradução livre do original “What is inteligence, anyway?” - Isaac Asimov)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Um Hotel cheio de segredos e... surpresas!




Em 1932 a Europa vivia uma crise económica, financeira e social muito idêntica à que estamos a viver. 
Em  Zubrowka, um país imaginário, o Grande Hotel Budapeste é retiro de milionários. 
O concierge, Gustave H, serve de amparo e conforto a velhas milionárias. Um dia uma delas morre e Gustave vê-se envolvido na herança e no desparecimento de um quadro valiosíssimo. A partir daí, na companhia do paquete Zero Mustafa, de quem se tornara amigo e protector,  vive uma série de peripécias tragicómicas.
Sem ser um grande filme, devo dizer que foi para mim uma agradável surpresa e me proporcionou momentos de boa disposição.
Nada, porém, que justifique a nomeação para 9 Óscars na minha modesta opinião. Apesar do seu talento e da segurança do desempenho, Ralph Fiennes não apresenta argumentos para roubar o Óscar de melhor actor a dois fortes candidatos ( Cumberbatch – Jogo da Imitação e Bradley Cooper – Sniper Americano) 
Vencedor do Urso de Prata em Berlim e de um Globo de Ouro para melhor filme de comédia e musical, não deverá conseguir idêntico sucesso em Hollywood. A disputa será entre dois filmes tipicamente americanos (Selma e Sniper Americano) e apesar do elenco de luxo, não me parece que possa esgrimir argumentos suficientes para arrebatar a estatueta.
Um filme com 9 nomeações não deverá sair de mãos a abanar, mas penso que não poderá aspirar a mais do que estatuetas normalmente considerads menores. Como é o caso de Melhor Argumento Original, Melhor Guarda Roupa ou Melhor Banda Sonora.
De qualquer modo, repito, é um filme que se vê com muito agrado e tem o condão de dispor bem.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Está de pinguins!


Quando está muito calor diz-se  "Está de ananases" mas, quando está muito frio, diz-se  "Está um frio de rachar!"
Pois em minha opinião, "Está de pinguins". Porquê?
Tirei esta fotografia em Punta Tombo em  Janeiro, em pleno verão antárctico, com uma temperatura a rondar os 4 ou 5 graus.  Apesar do imenso frio, os pinguins estavam deleitados na praia a apanhar belos banhos de sol. E a sua alegria é tanta, ao mergulhar na água gelada, que fazem um barulho ensurdecedor na hora de irem ao banho.
Estou tentado a ir ali ao Guincho dar um mergulho para ver se me comporto como os pinguins. 


Hoje acordei assim




" Pássaros criados numa gaiola  acreditam que voar é uma doença"
( Alejandro Jodorowski)