terça-feira, 31 de março de 2015

O Destino marca a hora




Conheceu-a numa esplanada, durante a manhã, enquanto absorvia a plenos pulmões os tons verdes do mar  e o cheiro a maresia que lhe traziam à memória praias distantes.
Num momento desviou o olhar e viu-a a mordiscar a esferográfica com que fazia as palavras cruzadas.Sorriu-lhe. Ela retribuiu. Afastou o jornal e deixou escapar um suspiro de contrariedade.
Qual é a dúvida?-perguntou-lhe
Deus egípcio com duas letras. Sei lá! Só conheço a Cleópatra…
RA
O quê?
É o nome do deus egípcio com duas letras, RA. Às vezes também aparece como batráquio.
Não estou a perceber, desculpe...
A Rã é um batráquio. Às vezes também aparece nas palavras cruzadas.
Se tivessem posto aqui batráquio com duas letras eu também sabia. Que mania de se fazerem difíceis…aqueles egípcios também têm cá umas ideias! Só eles é que se lembrariam de adorar uma rã…
Não é bem isso. Deixe lá, depois explico melhor. Está quase na hora do almoço. Toma um aperitivo?
Olhou para o relógio. Aceitou um dry martini. Almoçaram.
No momento em que chegou a mousse de avelã as suas mãos, quiçá impulsionadas pelo crocante, tocaram-se pela primeira vez. A tarde foi-se escoando entre conversas vazias e chamadas de telemóvel que ela sistematicamente rejeitou. Ele estava enfastiado, mas aquele corpo a pedir mão de mexer, inquieto, incitava-o a permanecer ali.
Quando o sol se começou a esconder, mergulhando a piscina do hotel numa penumbra fresca, subiram finalmente ao quarto e os seus corpos convergiram em uníssono, para a plataforma de Afrodite, porque Ra era egípcio e percebia pouco de amor.
Jantaram entre flutes de champagne com framboesa e depois voltaram a amar-se.Pela manhã, antes do pequeno almoço, mergulharam na piscina desfrutando da solidão naquela manhã primaveril, esplendorosa.
Finalmente ele perguntou-lhe o que fazia
- Sou relações públicas numa empresa de cattering
- Devias ser dentista…
Ela riu-se e perguntou. porquê?
- Quando os clientes entrassem no teu consultório, ao sentarem-se na cadeira já iam de boca aberta...
Riram. Amaram-se mais uma vez, antes da hora do check out.
Encontramo-nos amanhã? – perguntou ele ansioso
Amanhã não posso. Tenho de dar apoio a um serviço de catering
E na quarta-feira?
Combinado!- respondeu ela enquanto lhe oferecia os lábios carnudos para um beijo de despedida.

Terça-feira à noite ele foi ao seu bar habitual. Estava no segundo whiskey quando ela entrou. Vinha acompanhada e sorriu-lhe discretamente.Ele perguntou ao barman se a conhecia.
Sim, nos últimos meses veio cá várias vezes. Mas costuma vir antes do jantar, é a primeira vez que a vejo aqui à noite.
Quem é?
Não sei…
Aquele será o marido?
Não! Ela vem sempre com senhores diferentes. Tomam um copo e depois saem de mão dada.
Quando ela saiu sorriu-lhe. Ele retribuiu.No dia seguinte, contrariando as expectativas dele, ela compareceu ao encontro. Quis explicar-se. Ele juntou o anelar e o médio e colou-os aos seus lábios, reclamando silêncio. Amaram-se como se não tivesse havido véspera.Adormeceram exaustos.
Quando ele acordou, ela não estava. Em cima da mesa de cabeceira encontrou um bilhete:
Sou incapaz de resistir aos homens que me agradam. Parece-me que não somos muito diferentes. Tu também não resististe a uma mulher que te agradou e deves ter pensado nisso quando me levaste para a cama. Sou só mais uma na tua vida, porque não posso ter o direito de que tu tenhas sido também apenas um homem mais na minha? Pensava que eras diferente, mas afinal és igual aos outros. Gostei de te conhecer e de foder contigo. Até qualquer dia.Beijos A.”
Quando acabou de ler, sentiu um murro no estômago. Levantou-se e foi urinar. Ao fim do dia telefonou-lhe, mas ela não atendeu. Voltou a tentar no dia seguinte ao final da manhã. Ficou sem resposta. No terceiro dia foi à esplanada onde a encontrara, mas dela nem sinal. Durante três dias passou os finais de tarde e noite no bar. Ela não apareceu. Ele desistiu.
Uma semana depois o telemóvel tocou. Era ela. Hesitou, mas por fim atendeu. Foram jantar nesse dia. E nos dias seguintes. Ao fim de sete meses casaram. Na véspera do casamento ela confessou-lhe que nunca trabalhara numa empresa de cattering. Era acompanhante de luxo que punha anúncios nos jornais à procura de homens que a satisfizessem. Nunca fora para a cama contrariada, porque antes de dar esse passo estudava os homens que contratavam os seus serviços. Enganara-se algumas vezes. Alguns machos eram impotentes ou ejaculavam tão depressa, que a deixavam frustrada.
Ele ouviu tudo atentamente e deu-lhe um beijo. Sem palavras.
Celebraram ontem 25 anos de casados, na companhia dos dois filhos e de um neto.Convidaram alguns amigos, entre os quais tenho o prazer de me incluir. Ausente, não pude comparecer. Assim que chegue a Lisboa, vou abraçá-los e desejar-lhes mais 25 anos de felicidade.

domingo, 29 de março de 2015

É hoje, é hoje!

Comemora-se hoje o 3º aniversário do "Crónicas on the rocks". 
Embora esteja ausente, não quero deixar de agradecer aos que por aqui ainda passam a amizade e condescendência manifestada com as vossas visitas e comentários.
Tentarei resistir. Bem Hajam e um grande, grande, OBRIGADO.

sábado, 28 de março de 2015

O pomar das sereias


Termina hoje o Curso de Gestão Estratégica que ofereci aos leitores durante esta semana, no âmbito das comemorações do 3º aniversário do On the rocks, que se assinala amanhã, dia 29. Espero que tenham desfrutado.

6ª AULA


Um fazendeiro resolve colher algumas frutas em sua propriedade. Pega um balde vazio e segue rumo às árvores frutíferas. No caminho, ao passar por uma lagoa, ouve vozes femininas e acha que provavelmente algumas mulheres invadiram suas terras. Ao se aproximar lentamente,observa várias belas garotas nuas se banhando na lagoa. Quando elas percebem a sua presença, nadam até a parte mais profunda da lagoa e gritam:
- Nós não vamos sair daqui enquanto você não deixar de nos espiar e for embora.
O fazendeiro responde:
- Eu não vim aqui para espiar vocês, eu só vim alimentar os jacarés!

Conclusão: A criatividade é o que faz a diferença na hora de atingirmos nossos objetivos mais rapidamente  e com melhor eficácia.

Tenham um excelente fim de semana

sexta-feira, 27 de março de 2015

Sentido de oportunidade

O curso está a chegar ao fim Amanhã , véspera do 3º aniversário do On the rocks, será a última aula. Às 18h30m, como sempre...

5ª AULA


Um homem está entrando no chuveiro enquanto sua mulher acaba de sair e está se enxugando. A campainha da porta toca. Depois de alguns segundos de discussão para ver quem iria atender a porta a mulher desiste, se enrola na toalha e desce as escadas. 
Quando abre aporta, vê o vizinho Nestor em pé na soleira. Antes que ela possa dizer qualquer coisa, Nestor diz:
- Eu lhe dou 3.000 reais se você deixar cair esta toalha!
Depois de pensar  alguns segundos, a mulher deixa a toalha cair e fica nua.
Nestor então entrega-lhe os 3.000 reais prometidos e vai embora.
Confusa, mas excitada com sua sorte, a mulher se enrola de novo na toalha e volta para o quarto. Quando ela entra no quarto, o marido grita do chuveiro:
- Quem era?
- Era o Nestor, o vizinho da casa ao lado, diz ela.
- Ótimo! Ele lhe deu os 3.000 reais que estava me devendo?

Conclusão: Se você compartilha informações a tempo, você pode prevenir exposições desnecessárias.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Pelo sim, pelo não, leia as Escrituras

Começa hoje a segunda parte do curso de gestão estratégica que estou a oferecer aos leitores para assinalar o 3º aniversário do On the rocks. Esta quarta aula é de capital importância para o vosso aproveitamento. Por isso, muita ATENÇÃO!

4ª AULA



Um padre está dirigindo por uma estrada quando  vê uma freira na beira da estrada. Ele para e oferece uma carona que a freira aceita. 
Ela entra no carro, cruza as pernas revelando dois belos pedaços. O padre se descontrola e quase bate com o carro. Depois de conseguir  evitar acidente ele não resiste e coloca a mão na perna da freira. Ela olha para ele e diz:
- Padre, lembre-se do Salmo 129!
O padre sem graça se desculpa:
- Desculpe Irmã, a carne é fraca... E tira a mão da perna da freira.
Mais uma vez a freira diz:
- Padre, lembre-se do Salmo 129!
Chegando ao seu destino a freira agradece e, com um sorriso enigmático, desce do carro e entra no convento. 
Assim que chega à igreja o padre corre para as Escrituras para ler o Salmo 129, que diz:
“Vá em frente, persista, mais acima encontrarás a glória do paraíso”.

Conclusão: Se você não está bem informado sobre o seu trabalho,você pode perder excelentes oportunidades.

quarta-feira, 25 de março de 2015

O Génio da Lâmpada

Continua  o Curso Acelerado de Gestão Estratégica

3ª AULA


Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar e, na rua, encontram uma antiga lâmpada a óleo.
Eles esfregam a lâmpada e de dentro dela sai um gênio.
O gênio diz:
- Eu só posso conceder três desejos, então, concederei um a cada um de vocês!
- Eu primeiro, eu primeiro, grita um dos funcionários! Eu quero
estar nas Bahamas dirigindo um barco, sem ter nenhuma preocupação na
vida... Puff e ele foi.
O outro funcionário se apressa a fazer o seu pedido:
- Eu quero estar no Havaí, com o amor da minha vida e um provimento
interminável de pina coladas! Puff, e ele se foi.
Agora você, diz o gênio para o gerente.
- Eu quero aqueles dois  tipos  de volta ao escritório logo
depois do almoço para uma reunião!

Conclusão: Deixe sempre seu chefe falar primeiro

terça-feira, 24 de março de 2015

A Lei da Selva


2ª AULA do Curso de Gestão Estratégica



Em  África todas as manhãs o veadinho acorda sabendo que deverá conseguir correr mais do que o leão se quiser se manter vivo.
Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deverá correr mais que o veadinho se não quiser morrer de fome.

Conclusão: Não faz diferença se você é veadinho ou leão, quando o
sol nascer você tem que começar a correr.

Those were the days (16)

Ayhutia (Tailândia)
Brincando ao Portugal dos Pequeninos

segunda-feira, 23 de março de 2015

Curso acelerado de gestão estratégica




No próximo domingo o On the rocks comemora o seu 3º aniversário. 
Como forma de agradecimento aos leitores que por aqui passam, ofereço ao longo de toda a semana um curso acelerado de gestão estratégica. As inscrições são gratuitas e no final NÃO será emitido nenhum certificado.

1ª AULA


Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada. Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta:
- Eu posso sentar como você e não fazer nada o dia inteiro?
O corvo responde:
- Claro, porque não?
O coelho senta no chão debaixo da árvore e relaxa. De repente uma raposa aparece e come o coelho.

Conclusão: Para ficar sentado sem fazer nada, você deve estar no topo

Finalmente chegou a Primavera

Milla Jovovitch
Já chegou a Primavera, não é preciso tanto agasalho...

domingo, 22 de março de 2015

Quantas árvores custa um hamburguer?



Hoje assinala-se o Dia Mundial da Árvore e pensei que seria oportuno recordar 

Em 2011, o Bastonário da Ordem dos Médicos defendeu a criação de um imposto especial sobre o fast food. 

A proposta  foi muito criticada, caiu no esquecimento, mas a mim sempre me pareceu boa...

A comida "chatarra", como lhe chamam os hispânicos, não é só prejudicial à saúde, aumentando os riscos de obesidade doentia, como também é responsável pela degradação de recursos naturais.

A população de bois, vacas, vitelos e carneiros, ocupava, há uma década, 24% das terras cultiváveis, exercendo uma forte pressão sobre os recursos naturais. Florestas tropicais da América Central foram transformadas em pastos para animais que são, maioritariamente, consumidos pelos países do hemisfério Norte.

Para além da desflorestação, há ainda que contar com a erosão e desertificação resultantes das culturas intensivas de pastagens e cereais. E se tivermos em consideração que, para produzir 1 quilo de carne de vaca são precisos 20 quilos de cereais, cerca de 20 mil litros de água e a energia equivalente a cinco litros de petróleo, ficamos a perceber melhor que os hamburguers são um excelente negócio para quem os vende, mas péssimo para a Natureza.

Poderia falar ainda sobre o sofrimento dos animais, os perigos para a saúde humana resultante da ingestão de antibióticos com que muitos animais são engordados, etc...mas não quero ser acusado de fundamentalista.

Assim, lembro apenas que, de acordo com dados divulgados há tempos pela Consumers International, se cada americano reduzisse em 10 por cento o consumo de carne, seriam economizados cereais suficientes para alimentar anualmente 60 milhões de pessoas que sofrem com a fome...

E a verdade é que as consequências para a saúde do consumo excessivo de "fast food" - símbolo da cultura moderna que não inclui apenas os hamburguers- tem sido alvo de avisos de organizações credíveis como a OMS.

sábado, 21 de março de 2015

Porque hoje é sábado...

... e Dia Mundial da Poesia

De palavras não sei. Apenas tento
desvendar o seu lento movimento
quando passam ao longo do que invento
como pre-feitos blocos de cimento.

De palavras não sei. Apenas quero
retomar-lhes o peso   a consistência
e com elas erguer a fogo e ferro
um palácio de força e resistência.
De palavras não sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro   quando as digo.

Palavra que me lavra. Alfaia escrava.
De mim próprio matéria bruta e brava
-- expressão da multidão que está comigo.

( José Carlos Ary dos Santos, Epígrafe)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Pequenos Faquires




Quem já se deu ao trabalho de ler o meu perfil, sabe que nunca entrei numa loja IKEA.
Quando  há cerca de duas semanas acabei de ler este livro, tencionava escrever apenas um pequeno post  dizendo que depois da sua leitura encontrara ainda mais razões para justificar a minha recusa.
“A Incrível Viagem do Faquir que Ficou Fechado num Armário da IKEA” é um livro bem humorado que relata as aventuras de um faquir que foi a uma loja da marca em Paris para comprar uma cama de pregos. Fruto de peripécias várias acabou por entrar num armário e, sem saber ler nem escrever,  acabou por a dar a volta a meia Europa e dar um salto ao norte de África.
Sem grandes primores literários, mas com grande criatividade e uma boa dose de humor, promove a boa disposição de que andamos tão necessitados. Nada mais do que isso.
Hoje, ao ler uma notícia no Expresso, encontrei uma nova razão para escrever sobre este livro.
Meio atónito, fiquei a saber que em  vários países europeus, especialmente nas muito sisudas Holanda e Bélgica, criou-se um movimento nas redes sociais  com epicentro nas lojas IKEA, tendo como escopo utilizar as lojas de mobiliário para brincar às escondidas. O número de aderentes tem crescido a olhos vistos e, para maio, estavam marcados encontros em Breda e Eindhoven que  contavam  já com a inscrição de milhares de participantes.
Perante as invasões previstas, que ameaçavam alargar-se geograficamente, a IKEA decidiu proibir os clientes de brincarem às escondidas ( prática que eu desconhecia por nunca ter entrado numa loja da marca) .
A notícia não estabelece qualquer relação entre a leitura do livro de  Roman Puertolas e a febre de brincar às escondidas nas lojas da IKEA, mas  estou convencido que ela existe.   
Não me espantarei se dentro de algum tempo, um  happening semelhante se realizar em Lisboa, galvanizando a especulação mediática. É certo que  os jovens portugueses  não têm grandes hábitos de leitura, mas  a sua tendência mimética, por contágio através das redes sociais é incomensurável. Como se viu, ainda recentemente, com os "meets"


quarta-feira, 18 de março de 2015

(A)normalidades. Ou talvez não...

É normal que num dia de greve do metro, um comboio tenha de estar parado 10 minutos numa estação, para que dezenas e dezenas de jovens acompanhados por professores com ar comprometido se acomodem nas carruagens?
É normal que esses jovens  se atropelem em cada estação para ocupar lugares  vagos, antecipando-se a pessoas de idade avançada que são “obrigadas” a continuar de pé?
É normal que um jovem convide uma jovem para se sentar ao colo dele aliciando-a com a frase “aproveita que está bem duro?”
É normal que perante a recusa da jovem ele se levante e lhe apalpe o rabo?
É normal que os professores assistam a tudo isto (aparentemente) impassíveis?
Se calhar é e o anormal sou eu, por estar aqui a escrever sobre as cenas a que assisti.
Afinal, não há razões para preocupações. Os jovens frequentam um colégio privado ( ao que sei dos mais caros de Lisboa) e todos sabemos que são as escolas privadas que ocupam sempre os primeiros lugares no ranking dos melhores estabelecimentos de ensino da Tugalândia.

terça-feira, 17 de março de 2015

Sob a influência de Júpiter




Manhã de segunda-feira. Apanhou o Metro à hora habitual e dirigiu-se ao emprego a recibo verde, onde estava há quase três anos.Levava consigo uma revista de fim de semana, que não tivera tempo para ler. Foi folheando do final para o princípio. Parou na página dos horóscopos. Animou-se quando leu a previsão do seu signo:

Esta semana está sob a influência de Júpiter, que representa bênçãos, oportunidades, crescimento, ampliação de horizontes.No plano económico, pode finalmente ver definida uma situação laboral que até agora estava indefinida”.

Seria agora que lhe iam fazer o contrato definitivo, que andavam a prometer há um ano? Fazia mesmo jeito, porque a mulher tinha acabado de ser despedida.

Sorveu a bica, apressado, numa baiuca da estação de metro. A meio da manhã o chefe chamou-o. Percebeu, pelo ar grave, que as notícias não seriam boas. Não eram. Depois de rasgados elogios ao seu trabalho, o chefe comunicou-lhe que “ em virtude das dificuldades económicas que a empresa atravessa” não lhe renovariam o contrato no final do mês seguinte.

Saiu do gabinete sem dizer uma palavra. A meio da tarde pediu  para sair mais cedo.Dirigiu-se ao jornal onde lera o horóscopo e pediu para falar com o director. Não estava. Pediu o Livro de Reclamações.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Há coisas fantásticas, não há?

O novo relógio de pulso da Apple que em breve chega a Portugal


Já tínhamos os telemóveis que até servem para telefonar e agora vamos ter relógios de pulso que até servem para ver as horas.
Qualquer dia ainda vamos ter cérebros que até servem para pensar!

Descoberta de fim de semana


Encontrado num café em Serpa

sábado, 14 de março de 2015

sexta-feira, 13 de março de 2015

Comparações

Terminada a primeira semana de exibição, já se pode dizer  que  Borgen era uma brincadeira de crianças, quando comparada com "Os Influentes".
É curioso comparar o comportamento político num pais escandinavo, com um país latino, mas muito significativa é também uma mensagem deixada pelo director de campanha de Anne Visage no episódio de ontem: 
"Quando apoiei o anterior presidente, a campanha era um combate ideológico. Hoje em dia é uma venda de produtos".

quarta-feira, 11 de março de 2015

Quebrar a rotina



Levantar. Mirar-se ao espelho e ver-se a envelhecer em cada dia. Tomar o pequeno almoço. Tomar banho. Escanhoar-se em cada três dias. Rumar ao metro, depois ao autocarro,somando minutos parado à espera do futuro.
Chegar ao emprego. Picar o ponto. Sair para tomar a bica. Ler as gordas dos jornais. Entrar no gabinete, cumprimentar os colegas, discutir as notícias da véspera. Sair pontualmente ao meio dia e trinta para debicar, em balcões assépticos, ou mesas cobertas de toalhas aos quadradinhos, guarnecidas com guardanapos de papel, a ração diária.
É um autómato manipulado pelo mundo da finança, da indústria, da abastança, mas julga-se livre.
Sai às 5 para ir buscar o filho que começou a ser programado aos cinco anos numa escola fast food. Para mandar ou obedecer, será o futuro a determinar a escolha. Passar pela tabacaria para fazer o totoloto, ou o Euromilhões. Voltar a casa, fazendo planos sobre o que faria se lhe saísse o primeiro prémio.
Ler o jornal esparramado no sofá, enquanto a mulher prepara o jantar e o puto se refugia no quarto para fazer os trabalhos de casa, entremeados com conversas no Facebook.Ver as cartas no correio que anunciam as datas precisas em que deve pagar a água, a luz, o telefone, o gás, a tv cabo,o seguro do automóvel, a prestação da casa,a mensalidade do colégio, as dívidas do cartão de crédito, o seguro da casa.
Ligar a Sport TV para assistir ao jogo do dia. Vibrar com vitórias e amolecer os desgostos das derrotas com doses reforçadas de cerveja.Discutir com a mulher, que quer ver a telenovela da TVI. Rumar à Internet para evitar discussões. Tomar a decisão de comprar mais um televisor a crédito para evitar conflitos conjugais. Falar de férias. De ilusões. De prestações vencidas. Adormecer fazendo contas à vida e esperar pela noite de sábado para fazer amor com a mulher que durante a semana não tem disposição para essas coisas.
Acordar ao toque do despertador, para começar mais um dia de direito à vida. Chegar ao emprego e ouvir o patrão dizer “vou fechar no fim do mês, estão todos despedidos, não consigo enfrentar a crise." 
Voltar a casa e antes de adormecer dizer à mulher “ Estou com insónias. Vou ali fumar um cigarro".

Ela já não o ouviu, porque adormeceu exausta, acumulando o cansaço do trabalho com as lidas da casa.
Vai à cozinha. Pega numa faca. Golpeia os pulsos e sente o cérebro fundir-se num momento de alegria. 
A mulher acorda a meio da noite, sente a falta do aconchego, levanta-se e encontra-o estendido no chão da cozinha. Junto ao corpo inerte está um papel com umas garatujas: “Puta que pariu esta democracia!”
Chama o 112. Quando entra na ambulância, percebe-lhe nos lábios a palavra que há anos não lhe ouvia: "Amo-te" 
Retribui com uma lágrima escondida num sorriso esforçado.
Uma semana depois deixa o filho entregue aos cuidados de uma prima e vai à Igreja para assistir à missa do 7º dia. O celebrante diz que era um homem bom e generoso. Ela regressa a casa reconfortada, mas não convencida.

Those were the days (14)


Estocolmo (2009)

segunda-feira, 9 de março de 2015

Uma nova forma de prostituição?

Está a crescer, especialmente em Inglaterra, o número de mulheres que mantêm relações sexuais com homens casados, particularmente desportistas.
Ao fim de algum tempo começam a fazer chantagem,  exigindo uma compensação avultada, para não divulgarem fotografias que conseguiram tirar durante as relações sexuais.
Interrogo-me se não será uma nova forma de prostituição. 

Guardado está o bocado...



Nunca perdi, nem me roubaram  um telemóvel. Os que já tive, morreram de morte natural.
Na véspera de Natal, morreu o último. Altura imprópria para falecer, mas paciência... 
No dia 26 fui comprar um novo, com um cheque de 150€ que me tinha sido oferecido pela MEO e que não tencionava utilizar, porque gostava muito do telemóvel que tinha. . 
Eu queria apenas um telemóvel mas, perante a insistência da funcionária que me atendeu acabei por comprar um smartphone. Fiquei, portanto, com um topo de gama à borla.
Não lhe tenho dado grande uso, para além da função que privilegio num telemóvel: fazer telefonemas.
Aos poucos, fui aprendendo a utilizar outras funções e afeiçoando-me ao novo brinquedo
Este fim de semana tinha aprendido a enviar fotos directamente para o FB e para o mail e, pela primeira vez, pensei que afinal era útil ter aquelas funções.
Só que hoje, o smartphone ou i phone, ou lá que treta era aquilo, levou sumiço. Perdido ou roubado? Não sei.
O que sei- e já tinha aprendido há muito- é que coisas que me são oferecidas por empresas duram pouco tempo na minha mão. Ou avariam, ou desaparecem Este não chegou a durar três meses.  Amanhã, lá vou ter de comprar um com o meu dinheiro. 
Por esta hora, alguém estará na posse de um smartphone que me tinha sido oferecido. Caso para dizer que " guardado está o bocado..."
Decididamente, não nasci para ser contemplado  nas facturas da sorte. É por isso que nunca vou ter um Audi topo de gama.


domingo, 8 de março de 2015

Poema de domingo

Georges Seurat (Un dimanche apré midi à lîle de Grande Jatte)

Aos domingos as ruas estão desertas
e parecem mais largas.
Ausentaram-se os homens à procura
de outros novos cansaços que os descansem.
Seu livre arbítrio alegremente os força
a fazerem o mesmo que fizeram
os outros que foram fazer o que eles fazem.
E assim as ruas ficaram mais largas,
o ar mais limpo, o sol mais descoberto.
Ficaram os bêbados com mais espaço para trocarem as pernas
e espetarem o ventre e alargarem os braços
no amplexo de amor que só eles conhecem.
O olhar aberto às largas perspectivas
difunde-se e trespassa
os sucessivos, transparentes planos.
Um cão vadio sem pressas e sem medos
fareja o contentor tombado no passeio.

É domingo.
E aos domingos as árvores crescem na cidade,
e os pássaros, julgando-se no campo, desfazem-se a cantar empoleirados nelas.
Tudo volta ao princípio.
E ao princípio o lixo do contentor cheira ao estrume das vacas
e o asfalto da rua corre sem sobressaltos por entre as pedras
levando consigo a imagem das flores amarelas do tojo,
enquanto o transeunte,
no deslumbramento do encontro inesperado,
eleva a mão e acena
para o passeio fronteiro onde não vai ninguém.

( António Gedeão in "Novos poemas póstumos",Sá da Costa Ed. 1990)

sexta-feira, 6 de março de 2015

A seguir


Não é novidade para ninguém que a RTP 2 exibe as melhores séries que passam na nossa televisão em canal aberto. Para quem não aprecia , ou está farto ( como é o meu caso), das americanices exibidas nos canais do cabo, a RTP 2 é uma boa alternativa nesta matéria.  Exibe séries europeias,  sobre questões que preocupam os europeus,   e não seriados americanos que, salvo raras excepções - que as há e boas- são tão repetitivos e enfadonhos como o fast food e reflectem o modo de viver e pensar dos americanos.
Este ano segui atenta e sofregamente as três séries de Borgen (Dinamarca), acompanhei a espaços El Príncipe (Espanha) e ontem vi o primeiro episódio de Os Influentes ( França). 
 Ainda é cedo para fazer uma avaliação, mas as primeiras impressões são boas. Apesar de perder em termos de imagem na comparação com as duas anteriores, Os Influentes  promete seguir na sua esteira sendo mais uma série a não perder.
Creio que poucas televisões europeias apresentam uma tão variada gama de séries europeias em canal aberto. Por outro lado, ao exibir as séries em dias sucessivos e não semanalmente, permite um maior envolvimento do espectadores. Duas  boas razões para que a RTP 2 continue a ser o meu canal favorito no horário nobre semanal.

quinta-feira, 5 de março de 2015

A vingança é a praia dele



O cinema argentino é ainda pouco conhecido em Portugal, apesar de ter excelentes realizadores e intérpretes, a que  em seu tempo fiz referência na casa mãe, na rubrica Noites de Cinema.
Há dias fui ver um filme de  Damian  Szifron:  Relatos Selvagens. Selecionado para a Palma de Ouro de Cannes e  para o  Óscar de melhor filme estrangeiro, merece não passar despercebido entre a onda de fitas hollywoodescas em exibição nas salas portuguesas.
O filme é composto por seis histórias brilhantes, contadas de forma incisiva e inteligente,  que vamos acompanhando entre sorrisos e gargalhadas estridentes.  Exceptuando a primeira- curta mas muito envolvente -  todas elas poderiam ter sido vividas por qualquer um de nós.   Todas ligadas pelo espírito de vingança, abordam temas do quotidiano  para os quais nem sempre estamos despertos ( como é o caso de um desaguisado entre dois automobilistas numa estrada em plenos Andes, que liga Salta a Cafayatte,  onde já fui muito feliz);
As cumplicidades familiares que pensamos só existirem nas famílias dos outros é narrada numa história  em que  um pai  tenta ilibar o filho de um atropelamento e se vê envolvido num redil de corrupção;
Há uma outra história que acompanhei sempre a pensar em Portugal e naqueles que lutam pelos seus direitos. Tudo começa com um engenheiro  que vê o seu carro ser rebocado arbitrariamente e é obrigado a pagar uma multa. Aí começa a sua luta contra as arbitrariedades da malha legislativa e a cegueira  burocrática.  
Há ainda  a história de  uma empregada de restaurante de estrada que um dia vê entrar porta adentro um fulano que destruiu a sua família e a da cerimónia de um casamento, que resume, de forma magistral, as várias facetas da  vida conjugal .
A genialidade de  Szifrón não se resume a  saber contar histórias  centradas na vingança, que nos agarram do princípio ao fim.  É também o fio condutor que consegue estabelecer entre histórias tão diversas,  assentes no tripé humor, crítica social e surpresa.  Sendo que o humor é do mais subtil e verrinoso que já tenho visto em cinema, a crítica social não é feita de forma panfletária, mas profundamente real e humana e o final das histórias, apesar de ser sistematicamente  surpreendente, é ( quase) sempre o mais óbvio ( excepto na primeira história, onde Szifrón dá ao final um toque sádico a lembrar Tarantino ou Polanski.  
Szifrón também não cai na tentação fácil de tirar “lições”. Cada um que tire as suas.
As seis histórias de Retratos Selvagens   relatam situações  em que muitos gostariam de agir como os protagonistas, mas nunca  ousarão fazê-lo porque, no fundo,  embora (quase) todos  sonhem com a vingança, poucos são os que a concretizam.  É por isso um filme   libertador que funciona como um divã de psicanalista, onde muitos não desdenhariam estar deitados a exorcizar, se para tanto fossem suficientemente corajosos.
Resumindo: um filme para se rir (muito) durante e para reflectir depois.

Those were the days (12)


Córdoba (Alcazar)

quarta-feira, 4 de março de 2015

Estranha forma de vida



E se lhe disserem que depois da morte pode gerar vida?  Que o seu corpo se pode transformar na sua árvore ou planta favorita, depois da morte?
 À primeira vista parece ficção científica, mas é uma possibilidade bem real. Ora leia lá e depois diga de sua justiça
Dois designers italianos  criaram um projecto no mínimo, revolucionário: transformar um corpo em decomposição em nutrientes para uma árvore.
O corpo é colocado dentro de uma cápsula  orgânica biodegradável e, depois de enterrado,  é plantada uma árvore ou lançada uma semente para aproveitar a matéria orgânica.  A escolha- incluindo o tipo de árvore- pode ser determinada em vida .
O projeto  The Capsula Mundi é uma representação do  conceito de morte sustentável. Em vez de caixões que obrigam ao derrube de árvores,  o  corpo decompõe-se gerando vida e os cemitérios são substituídos por espaços verdes, onde cada árvore, ou planta, tem uma memória.
A proposta é ousada, revolucionária e, em minha opinião, inteligente. Só ainda não decidi a árvore que  vou escolher.

terça-feira, 3 de março de 2015

Está nos livros

"Em momentos-chave da minha vida, fiquei sem amigos apenas por ausência de empatia. Ninguém cometeu nenhuma falha ética, mas eu falava outra língua, uma língua que os meus amigos não entendiam. Até aí, eu julgava que a amizade era uma escolha. Hoje, sei que é apenas a arte do possível.”

Pedro Mexia, in “Lei seca”

segunda-feira, 2 de março de 2015