quinta-feira, 30 de abril de 2015

É tudo muito relativo...



Durante uma visita à Papua Nova Guiné, o homem que se vê na foto ajudou-me a compreender melhor o relativismo cultural.
 É  um habitante de Goroka  que veste apenas uma tanga e tresanda a bosta por todos os lados. Vai para uma festa tribal e  untou-se de caca, com a mesma naturalidade com que uma figura do jet set mergulha num frasco de Channel antes de ir para uma vernissage.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Aldeia da Roupa Branca




Mergulho em memórias do Alentejo, guiado pela escrita de José Luís Peixoto. Percorro ruas bordejadas de branco com rebordos amarelos ou azuis.São as cores do Alentejo.
Rumo a norte. Passo pelas aldeias de xisto e ainda mais a norte, onde o granito impõe a sua presença forte e fria,  prendo-me em mesclas de cores pintadas por emigrantes em casas com azulejos e janelas "tipo fenêtre". 
Sento-me num banco de jardim a reflectir sobre as diferentes cores do interior do meu país. Fixo-me na explosão de cores  semeadas no jardim em consagração da Primavera.
 Poucos minutos depois, vejo aproximarem-se três vultos de mulher. Caminham na direcção da Igreja, ao ritmo das badaladas que chamam para a oração da tarde. Estão todas vestidas de preto.  É o luto carregado e sempiterno do interior do meu pais. Pela morte do marido, do filho que morreu em África, do namorado que morreu num acidente de motorizada,  do cunhado que foi morto numa rixa pela posse de terras, do vizinho que morreu sabe-se lá de quê, do outro que morreu de bêbado, do padre que morreu cansado de dar absolvições, ou do filho que partiu para longe, em busca de melhores condições de vida e não mais voltou. 
O interior do  meu país é da cor do luto. É essa a cor que nos une.
Mesmo quando há roupa branca pendurada nas janelas, ou a ser cuidada por lavadeiras, o interior do meu país é da cor do luto.
A Aldeia da Roupa Branca não passa de  uma construção, mas um dia o interior do meu país vai despertar. Vai descer da janela, sair à rua e voltar a vestir-se de branco e cores alegres,  por um cravo ao peito  e celebrar a Liberdade.  

terça-feira, 28 de abril de 2015

Reflexões à volta da(s) sogra(s)

Comemora-se hoje, pelo menos no Brasil, o Dia da Sogra.  Dizer mal da sogra é coisa que pertence ao passado. Hoje em dia, por mais megera que seja, é politicamente correcto dizer que “a nossa” é a melhor sogra do mundo. Provavelmente terá sido esta mudança de paradigma que levou os brasileiros à criação do Dia da Sogra 
Devo confessar-vos que sou pouco versado em  matéria de sogras. A minha especialidade é mesmo a língua delas. Vá lá, não comecem já a pensar em coisas  esquisitas.  Quando me refiro à língua da sogra, menciono este saboroso produto que se vê na imagem.


Não havia miúdo, entre as praias de Leça e Espinho, que não abandonasse a brincadeira e corresse para junto da mãe a salivar, assim que ouvia o pregão  "Olhá boa língua da sogra!"
“Vem aí o homem da língua da sogra! Compra-me uma, mãe!” 
 Lembram-se? Era assim:
O "homem da língua da sogra" começava a anunciar-se com o seu pregão  nas imediações da piscina e, quando chegava à Praia dos Beijinhos,  já todos estávamos expectantes. Assim que pousava "a roleta" formávamos em fila, para a rodar. O número em que parasse determinava o número de línguas que recebíamos.
Sempre fui um azarado. Creio que o máximo que consegui receber terão sido 5. Não foi, porém, o meu azar ao jogo que determinou a inexistência de sogras de "papel passado"na minha vida.  O meu irmão mais novo - que frequentemente arrebatava 25, ou mesmo 50 - morreu aos 40 anos, celibatário e sem ter conhecido sogra.
Mas adiante...
Eu sei que também há quem chame a este ruidoso instrumento  "língua da sogra".

Até me conhecer, a  Baixinha era uma dessas pessoas...
Com toda a bonomia e paciência que me caracterizam ( cof, cof, cof) lá  lhe  expliquei que Língua da Sogra é o produto alimentar que se vê lá em cima e a que alguns também chamam barquilhos. 
Desejo a todas as sogras que me visitam um dia feliz, transmissível a todas as sogras vossas amigas.
E, como hoje também se assinala o Dia Mundial do Sorriso, deixo o meu melhor sorriso à minha sogra.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Livro da semana


Galveias é uma pequena aldeia do concelho de Ponte de Sor. Foi lá que José Luís Peixoto nasceu e é lá que se desenrolam todas as histórias que compõem este livro.
 Galveias é o retrato do interior do país - aquela parte que a maioria do litoral desconhece. As personagens que vamos conhecendo ao longo das histórias são familiares a quem conhece bastante bem esse país esquecido, deserdado da sorte e progressivamente abandonado. Mas não são apenas histórias típicas de aldeia,  onde as personagens se movem em padrões de amor e ódio, com a sua perversidade, humor, ciúme, ambiguidade e mistério. Muitas delas podiam passar-se em alguns bairros periféricos das grandes cidades, espaços de vivências quase impenetráveis para a maioria dos citadinos, absorvidos pelas luzes feéricas do grande centro,que ofuscam a forma de vida nos arrabaldes.
O que mais me cativou  neste livro foi a escrita de José Luís Peixoto.As palavras são pinceladas com critério e rigor, construindo frases harmoniosas.
 Conheci Galveias no ano em que o autor nasceu e por lá me demorei  tempo bastante, em visitas repetidas, para  "colar" as palavras do autor em telas e pintá-las com a cor da memória. Ler Galveias foi como fazer uma viagem ao passado. Recordo a aldeia de  ruas brancas que calcorreei repetidas vezes,  suportando o calor dos estios ou o frio de invernos rigorosos, açoitado por um vento cortante.
Nunca tinha lido nada de José Luís Peixoto.  Depois de Galveias senti-me impelido a "saber" mais  sobre a sua obra já extensa. Aceito sugestões.

Those were the days (21)



Kathmandu 
A sensação terrível de não poder voltar a ver uma cidade com o mesmo olhar.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Memórias de Goa


Há dias, a propósito deste post sobre praias de Goa, prometi contar uma história acontecida na bela praia de Colva, no início da década de 90.

Não era a primeira vez que ia a Goa, mas foi a primeira vez que lá fui com um grupo de jovens portugueses. Na circunstância, um grupo de finalistas do curso de Direito da Universidade de Macau. Alugámos alguns carros e partimos à descoberta da ilha. Era Abril e estava um calor tórrido. Os que iam comigo propuseram uma paragem em Colva para beber qualquer coisa. Ficámos algum tempo à conversa, a praia estava deserta e a água convidava a um banho. Tinha comido uma bela carilada de caranguejo e não arrisquei.

Fiquei na esplanada com um dos alunos, mas as duas raparigas que iam connosco decidiram mesmo experimentar a água. Ficámos os dois à conversa. Passados uns minutos, olhei para a praia e vi uma multidão de homens formando um círculo. Imaginei de imediato a cena mas ainda não tinha tido tempo de comentar, quando vejo as duas a sair da praia em grande correria. Traziam as toalhas enroladas no corpo e quando chegaram ao pé de nós, ofegantes, nem as deixei falar. Apenas disse:
Quem vos mandou estenderem-se na areia em biquini?

Claro que uma cena destas hoje em dia será improvável de ocorrer mas, naquela época, em que o turismo europeu ainda não descobrira as belezas de Goa, duas mulheres jovens ( e não por acaso belíssimas) estendidas no areal de Colva em biquini, não era um espectáculo comum para os indianos de Goa.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Tásse memo aver, num tásse?

- Deixei-te uma mensagem no telemóvel e não respondeste
- Não ouço mensagens...
- Também te enviei um SMS
- Não leio SMS...
- Então para que é que tens telemóvel?
- Eh pá! Não vês que me faz imensa falta?

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Está nos livros



Estendeu os braços carinhosamente e avançou, de mãos abertas e cheias de ternura.
- És tu Ernesto, meu amor?
Não era. Era o Bernardo.
Isso não os impediu de terem muitos meninos e não serem felizes. É o que faz a miopia.
( Mário Henriqie Leiria in Contos do Gin Tónico)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Pontos de vista

-Estou um bocado confuso com os resultados da Cimeira das Américas
- Em minha opinião foi um sucesso
- Então porquê?
- Pelo que li nos jornais de hoje.
- Tem piada... eu fiquei com a ideia de que foi um fracasso!
- Então porquê?
- Pelo que li nos jornais de hoje.

Se eu pudesse... dava-te o mundo inteiro!

Eu também o disse ao ouvido de algumas miúdas. E quem nunca ouviu ou disse isso ao ouvido de alguém que atire a primeira pedra.
Richard Anthony foi mais um dos que nos deixou neste Abril invulgarmente mortífero.
Ficam as memórias de danças acaloradas. Ao som desta canção, mas também de "Donne moi machance", "Aranjuez mon amour" ou "J'entends siffler le train".
E nos dias de aniversário nunca faltava o " C'est ma fête".
Obrigado, Richard Anthony por me teres ajudado a ser feliz. Apesar de seres um bocado "pimba"...

domingo, 19 de abril de 2015

Livro da Semana


Já aqui escrevi sobre  "Submissão", o livro de Michel Houellebecq lançado em França no dia do ataque ao Charlie Hebdo.
Lançado em Portugal no final de Março, aproveitei a última segunda feira da Bertrand para o comprar. E já o li. Nem sequer foi para a fila de espera...
Devo dizer que não me desiludiu. Bem pelo contrário. 
Em  Janeiro, tinha lido que se tratava de um romance visionário. Só parcialmente acompanho essa interpretação. A especulação resume-se à eleição de um presidente muçulmano em França, no ano 2022.
Tudo o resto é um retrato fiel da sociedade actual. O  triunfo do  individualismo e do niilismo já invocado nos livros de Gilles Lipovetsky; a descaracterização das relações sociais, dominadas pela era do ecrã; o desenraizamento dos jovens; a busca de sucesso imediato construído em reality shows; o desinteresse total pela reflexão, pela discussão de ideias e ideais; a ausência, nas sociedades ocidentais, dos valores  com que  se constrói a civitas e em torno dos quais se cimentam as culturas e as religiões; o triunfo do efémero. 
Houellebecq disserta sobre tudo isto neste romance, mas resiste à tentação de enveredar por juízos valorativos, ou impor ao leitor conclusões definitivas. Pelo contrário, convida o leitor a reflectir sobre elas e a interrogar-se se o modelo das sociedades ocidentais, dominado pela febre consumista que nos está a conduzir ao tédio,ao conformismo e ao desinteresse,  não será o responsável pela atracção que o Islão exerce sobre os jovens.
Já tinha lido que Hoellebecq era islamofóbico e procurava neste romance fazer passar essa mensagem. Nada de mais errado! 
 Submissão é um romance que não se limita a contar uma história. Obriga-nos a reflectir, interrogar e acordar. Por tudo isso  li com prazer redobrado esta prosa de excelência.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Nunca interrompam as crianças





O Joãozinho achou tão excitante o que tinha visto que não se conteve e correu para casa contar à mãe.
- Mãe! Mãe! Eu estava no pátio da escola, quando vi o carro do pai ir para o bosque com a tia Lídia. Fui atrás para ver. O pai estava a dar um grande beijo na tia Lídia. Depois ele ajudou-a a tirar a blusa, depois a tia Lídia ajudou o pai a tirar as calças e depois a tia Lídia...
Nesse ponto, a Mãe interrompeu-o e disse:
- Joãozinho, essa é uma história tão interessante, tão interessante,que vais guardá-la para contar à hora do jantar!... Quero ver a cara do pai, quando lhe contares tudo isso, logo à noite.
Ao jantar, a mãe pediu ao Joãozinho para contar a história.
- Eu estava a brincar no pátio da escola quando vi o carro do pai ir para o bosque com a tia Lídia. Corri para ver. Ele estava a dar um grande beijo à tia Lídia. Ajudou-a a tirar a blusa e a tia Lídia ajudou o pai a tirar as calças e depois a tia Lídia e o pai começaram a fazer as mesmas coisas que a mãe e o tio Jacinto faziam, quando o Pai estava na tropa!

Assinalou-se esta semana o Dia Mundial do Beijo, para o qual tinha programado dois posts. As mortes de Gunter Grass e Eduardo Galeano obrigaram-me porém, a um reagendamento e só publiquei um. 
Hoje recuperei este.
Tenham um excelente fim de semana

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Nail houses : um cartaz turístico

Para quem não saiba, “nailhouse”  é uma casa cuja venda é sistematicamente recusada  pelo proprietário, obstaculizando a vida aos empreiteiros que pretendem erguer grandes edifícios ou construir estradas. Acaba por ficar "plantada" no meio de uma obra, emprestando um aspecto picaresco à paisagem.
Na China, a proliferação de nail houses tornou-se quase  um cartaz turístico, proporcionando imagens como as que abaixo se reproduzem. No entanto…










… não é só na China que  estas coisas acontecem.  Em Austin,EUA, este proprietário recusou-se a vender por 3 milhões de dólares uma casa avaliada em 200 mil. Em vez de a vender e amealhar uma quantia choruda, pediu um empréstimo ao banco e abriu uma pizzaria



Em Portugal também existem algumas nail houses. Convido por isso os leitores a enviarem fotografias de alguns exemplos que conheçam para que eu as publique aqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Dedução lógica

As exigências de habilitações  académicas para exercer uma profissão  em Portugal estão cada vez mais elevadas.
- Porque dizes isso?
- Porque profissões onde antes se podia trabalhar com habilitações mínimas, agora exigem licenciatura…
- Dá lá um exemplo…
- Li no jornal “ Advogada faz assaltos com namorado”; “ Médica assalta ourivesaria”; “Juiz rouba dois penalties ao Benfica"...

terça-feira, 14 de abril de 2015

Café Central



Assinala-se hoje o Dia do Café. Lembrei-me, a propósito, de uma das rubricas  mais divertidas e mais participadas do On the rocks ( quem quiser conhecer, ou recordar clique na etiqueta Rua dos Cafés na barra lateral do blog).
Lembrei-me, também, de um Café  Central que foi exibido na RTP 2 e suscitou acesa polémica.  Decidi, por isso, reeditar e actualizar esse post publicado no Crónicas do Rochedo em 2011.
Então, aqui vai: 

"Poucas devem ser as povoações portuguesas que não tenham um Café Central. Na literatura, o Café Central também está representado na belíssima trilogia de Álvaro Guerra, a par do Café República e do Café 25 de Abril.Há tempos, a RTP 2 começou a exibir uma série humorística, animada, com o mesmo nome.
Vi , ocasionalmente, meia dúzia de episódios e aceito sem rebuço que a maioria das pessoas não ache piada nenhuma àquilo. Na mentalidade urbana dominante, aquelas personagens não encaixam. Para mim, que percorro mensalmente milhares de quilómetros pelo país e , não raras vezes, combato a solidão nocturna- ou a insónia- com dois dedos de conversa entre uma bica e um copo no Café Central de ocasião, o ambiente retratado na série – descontados os exageros da carga humorística- não é tão descabido assim. Aquelas personagens existem mesmo.

Não serão tão vincadas como as pintadas no Café Central televisivo, mas a série é humorística - pelo menos esforça-se- o que justifica algumas pinceladas mais abrasivas e contundentes, por vezes brejeiras,realçando os perfis das personagens.

Quem não entendeu assim foi um grupo de mulheres e entidades que apresentaram queixa à ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). As queixosas insurgem-se contra a forma como é retratada Gina, uma prostituta de sotaque brasileiro que frequenta o Café Central. Na opinião delas, a personagem denigre a mulher brasileira.

Das duas uma:ou sou muito inteligente, ou tive sorte na meia dúzia de episódios que vi ( são - ou eram?- emitidos diariamente dois episódios, por volta da meia noite). É que percebi logo que a Gina não é brasileira. É uma portuguesa que compõe a sua imagem com sotaque e expressões aprendidas nas telenovelas de que é consumidora compulsiva, a que juntou a profissão imaginária de psicóloga. Se é verdade que a linguagem por vezes roça a brejeirice, não é no entanto ofensiva. Se é verdade que raras vezes me fez esboçar um sorriso, também não me parece que fira a sensibilidade e dignidade de alguém.


Como disse Jorge Wemans- então director da RTP 2 – ao DN, “ O Café Central é um comentário sobre a actualidade nacional e internacional, a partir de um lugar de má fama , não de um salão de beleza. Neste sentido, a construção das personagens parte de uma certa marginalidade e não da normalidade”.

Eu acrescentaria que muitos dos mais de 100 mil espectadores que vêem a série, nunca teriam conhecimento de muitas notícias exibidas no televisor do Café Central ( e depois comentadas pelos intervenientes: um conde, um taxista, um betinho de esquerda , um bêbado, o dono do Café e a já referida Gina), se a série não existisse.
Confesso a minha estupefacção ao constatar neste país que vive a noite inteira centrado em telenovelas, reage com um encolher de ombros ou grande entusiasmo a realitty shows como A Casa dos Segredos, Big Brother e quejandos, a existência de um grupo de Mães de Bragança do televisor brandindo o Corão das boas práticas contra uma série humorística. Por coerência, estas senhoras deviam pedir a proibição das páginas de RELAX do DN onde por baixo de fotografias de corpos curvilíneos, prostitutas ( brasileiras, portuguesas, cubanas, espanholas italianas e sei lá mais o quê) enaltecem os seus predicados na tentativa de atrair clientes, com um receituário de serviços que- esses sim- por vezes me fazem abrir a boca de espanto.
Nesses anúncios, minha senhoras, não há humor. Nem amor. Há miséria física, material e humana que vos devia preocupar bem mais, do que uma boneca animada de curvas voluptuosas e decote generoso, cujo único pecado é esforçar-se por provocar alguns sorrisos num povo triste e cinzentão que medra entre medidas de austeridade .
Caiam na real, minhas senhoras! Deixem em paz o Café Central e deixem de ser ridículas. Para ridículo, já chega este governo que nos caiu em (des)graça por vossa obra e graça, com ou sem o voto do Espírito Santo."
Actualização: a verdade é que a indignação das senhoras saiu vencedora e, passados algusn dias, o Café Central encerrou as suas portas. Para não mais voltar.

When a man loves a woman


Ainda Abril não chegou a meio e já vai longa a lista de óbitos de personalidades que marcaram a minha geração. Hoje partiu Percy Sledge (1940-2015).
Presença indispensável nos bailes de garagem, nos convívios da Faculdade de Letras e noutros convívios mais elaborados, Percy Sledge era também um nome incontornável nos tops musicais. Aqui recordo o seu mais espectacular êxito que ainda hoje provoca muito frisson.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Dia Mundial do Beijo




Creio ser esta  a primeira vez que publico três posts no mesmo dia, aqui no On the rocks.
Aconteceu que tal sucedesse no dia que pensara dedicar exclusivamente ao Beijo, com dois posts. 
Infelizmente, o dia ficou assinalado pelo Beijo da Morte que levou do nosso convívio dois grandes nomes da  literatura mundial: Gunther Grass ( que aqui noticiei ao final da manhã)  e  Eduardo Galeano ( a meio da tarde) e não pude deixar de assinalar esses dois lamentáveis eventos.
Apesar da tristeza dessas duas perdas, não podia deixar terminar o Dia Mundial do Beijo sem uma evocação à melhor terapia contra a acidez e o mau feitio e  um Hino à Vida e à Paz interior.
Deixo-vos, pois, com alguns dos melhores beijos do cinema. ( Pelo menos na opinião de alguns...)


A Lição de Eduardo Galeano


Dia triste o de hoje, que roubou a vida a dois enormes vultos da literatura mundial.
Depois do post que aqui escrevi sobre o Nobel Gunther Grass, deixo-vos este testemunho de Eduardo Galeano ( 1940- 2015), um dos maiores nomes do jornalismo e da literatura latino-americana.
Vai correndo triste e mortífero este Abril para a cultura mundial.

Gunther Grass

Gunther Grass ( 1927- 2015)


Na rubrica “Grandes Autores” que durante algum tempo alimentei no CR, inclui  Gunther Grass, um autor que descobri tardiamente, mas de que rapidamente me tornei fã. 
Não fui o único a descobrir Grass tardiamente. Na caixa de comentários do post, a maioria dos comentadores confessava nunca ter lido nada dele. 
Hoje, no dia da sua morte, reedito o post com ligeiras adaptações e aconselho desde já os meus leitores a visitarem a sua obra que tem títulos fantásticos..
Descobri  Gunter Grass quando estava em Macau (a oferta da Livraria Portuguesa  era pouco  variada nos primeiros tempos e  Grass foi -me aconselhado por uma amiga que lera  "O Tambor de Lata"). Gostei e logo de seguida empenhei todos os meus esforços para encontrar " O Gato e o Rato", o segundo livro da triologia deste escritor alemão, nascido em Danzig ( hoje Gdanks na Polónia)
 Já depois de Grass ter recebido o Prémio Nobel, em 1999,  comprei  o terceiro livro ( "O cão de Hitler")- que nunca cheguei a ler.
Quando  após a publicação de "Descascando a Cebola"  Gunter Grass revelou a sua ligação  às SS  disse que nunca mais leria nada dele  mas, felizmente,  percebi a minha estupidez e não cumpri a palavra. Tive  assim a oportunidade de ler no Verão passado (2012)  "O  Pregado". Passou a ser um dos 50 livros da minha vida. 
O livro é uma viagem fantástica entre o Neolítico e o final dos anos 70 do século passado e tem um Pregado como protagonista ( Não confundir com o nosso cherne, por favor). Para além de nos dar uma visão algo romântica da história alemã, associada à mitologia , em " O Pregado" Grass reflecte sobre o feminismo e o papel de Homem e Mulher na sociedade. Um verdadeiro tratado.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Isto sim, é amor!

Diz ele (apaixonado) para ela:
- "Posso não ser rico, não ter dinheiro, apartamentos e carros de luxo, ou empresas como o meu amigo Anastácio, mas amo-te muito, adoro-te - sou louco por ti". 
Ela olhou-o com lágrimas nos olhos, abraçou-o como se o amanhã não existisse e disse baixinho ao seu ouvido:
- "Se me amas de verdade, apresenta-me o Anastácio".

Tenham um excelente fim de semana

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Está nos livros (12)




" Ele tinha o cabelo ligeiramente grisalho e era distinto, se é que têm a noção do tipo de distinção de que estou a falar. Nunca arrancou beterrabas do chão com um bando de imigrantes mexicanos nem esteve na choldra quinze ou vinte vezes. Nem apanhou limões às seis da manhã sem camisa por saber que ao meio dia estariam 43 graus. Só os pobres conhecem o sentido da vida; os ricos e os protegidos têm de adivinhar." 

(Charles Bukowski in "A mulher mais bonita da cidade" Ed. ALFAGUARA, Setembro 2014)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

terça-feira, 7 de abril de 2015

Bate, bate, coração!



Depois da história que aqui vos contei ontem e das fotos de Goa que publiquei no domingo, fiquei a precisar disto para limpar o meu coração.
Já procurei em todo o lado, mas dizem-me que se trata de um produto descontinuado. Agora querem-se é corações bem enferrujados e insensíveis às emoções.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Um anjo à beira mar




Sexta-feira Santa. Uma reportagem de última hora leva-me até ao Oeste. Almoço no litoral, tendo o mar como cenário. A leitura do cardápio sugere-me um bife de atum. Aceito a sugestão. 
Enquanto aguardo, os meus olhos saltitam entre a leitura das gordas dos jornais e as ondas revoltas esparramando-se no areal. 
Vindo de não sei onde entra um anjo. Cabelo negro ( quem disse que os anjos são todos loiros desconhece a beleza dos anjos com cabelo de azeviche), caindo sobre um corpo esguio e bem torneado. Senta-se na mesa à minha frente. Pousa os óculos escuros sobre a mesa e pede a ementa. Da carteira recolhe uns óculos de ver ao perto ( os anjos de cabelo negro com problemas oftalmológicos devem pertencer a uma casta especial que não consta dos catecismos) que deixam a descoberto uns olhos verdes deslumbrantes . Anuncia a sua escolha ao empregado sem pronunciar uma palavra. (Os anjos ouvem mas não falam). Volta a pegar na carteira de onde retira um livro. Olha-me e deixa escapar um sorriso disfarçado. Retribuo.
Há qualquer coisa naquele sorriso que me traz à memória a psiquiatra de Tony Soprano, nos tempos da primeira série. O empregado traz-me o bife de atum. De repente, perdi o apetite. Só tenho olhos para aquele anjo, absorvido pela leitura de um livro cujo título não consigo descortinar. Entrego ao palato a apreciação do sabor do bife de atum, enquanto olho o mar e me interrogo sobre a escolha gastronómica do anjo que está diante de mim, mas agora ostensivamente me ignora. Um peixe grelhado? Uma salada? Talvez aquelas ovas cozidas com molho de vinagrete…
A resposta demora uma eternidade. Já deixei metade do bife de atum abandonada à sua sorte e pedi uma manga para rematar a refeição, quando o empregado traz a encomenda do anjo que algum enviado de Deus colocou à minha frente em tarde de Sexta-feira Santa, para me fazer experimentar a provação. 
Surpresa! O pedido improvável provoca-me uma breve náusea. Afinal, os anjos também comem favas com chouriço. Ainda por cima numa sexta-feira Santa, dia em que tal pitéu lhes devia estar vedado pela Lei Divina.

Em tempo: este texto foi inicialmente publicado no CR, na Páscoa de 2010

domingo, 5 de abril de 2015

Those were the days (17) : Páscoa em Goa

Páscoa em Goa 2006


Para começar, uma dedicatória ao HenriquAmigo que está a passar a Páscoa nesta bela praia de Colva


Praia D. Paula


 Forte Aguada e, finalmente...


 Utorda Beach

Há muitas mais praias em Goa. Todas belíssimas. É só escolherem a paisagem, o areal e a companhia, porque água quentinha (às vezes até demais) há em todas.
Um dia destes conto-vos uma história divertida passada numa outra praia: Calangute 
Quando ainda era uma praia serena e quase desprovida de turistas




E mesas na praia só para jantares românticos ao por do sol ou ao luar


Pois, pois, mas isso foi há quase 30 anos...

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Contra a Corrente


Hoje as pessoas começaram a rumar ao Algarve  logo pela manhã mas eu, como sou do contra, regressei a Lisboa, porque não gosto muito de confusões. Não esperava era encontrar um tempo tão fatela em Lisboa, depois de uns dias bem quentinhos em praias algarvias!
Em tempo: Aproveito a oportunidade para agradecer a todos os leitores as mensagens que aqui deixaram no dia do 3º aniversário do On the rocks.
A todos muito obrigado!