sábado, 23 de maio de 2015

Porque hoje é sábado

Justitia Mater 

Nas florestas solenes há o culto 
Da eterna, íntima força primitiva: 
Na serra, o grito audaz da alma cativa, 
Do coração, em seu combate inulto: 

No espaço constelado passa o vulto 
Do inominado Alguém, que os sóis aviva: 
No mar ouve-se a voz grave e aflitiva 
D'um deus que luta, poderoso e inculto. 

Mas nas negras cidades, onde solta 
Se ergue, de sangue medida, a revolta, 
Como incêndio que um vento bravo atiça, 

Há mais alta missão, mais alta glória: 
O combater, à grande luz da história, 
Os combates eternos da Justiça!

(Antero de Quental)

3 comentários:

  1. Uma óptima escolha:

    O soneto Justitia Mater de Antero de Quental

    e o meu pensamento correu logo para Évora.

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