segunda-feira, 29 de junho de 2015

Fui!

Foto da Internet

Parti para férias. Como não gosto de praia em Julho e Agosto, escolhi um destino fora da União Europeia, com muita água e ... "quente". Sempre gostei de correr alguns riscos...
Voltarei dentro de pouco mais de duas semanas, mas até lá deixo agendadas as canções francesas e uma ou outra crónica resgatada ao baú do Rochedo, que a maioria dos leitores que por aqui passam nunca terá lido.
Peço desculpa, mas este ano não me foi possível fazer a habitual visita de despedida, porque os últimos dias foram demasiado atarefados e ficaram marcados pelo falecimento de dois bons amigos e de um familiar.
Fiquem bem. Vou ter saudades vossas.
A quem for de férias, durante este período, votos de um excelente descanso. Até breve.

domingo, 28 de junho de 2015

Pendant les vacances


É pirosita esta canção, não é? Pois é, mas as férias são uma coisa muito boa e amanhã vão perceber porque a escolhi para hoje...

sábado, 27 de junho de 2015

Revelação de um tornozelo



Tive uma revelação não do alto
Mas de baixo, quando a vossa saia por um momento levantou
Traíu tal promessa que não tenho
Palavras para bem descrever a vista.

E mesmo se o meu verso tal coisa pudesse tentar,
Difícil seria, se a minha tarefa fosse contemplada,
Para encontrar uma palavra que não fosse mudada
Pela mão fria da Moralidade.

Olhar é o bastante: o mero olhar jamais destruiu qualquer mente,
Mas oh, doce senhora, além do que foi visto
Que coisas podem ser adivinhadas ou sugerir desrespeito!

Sagrada não é a beleza de uma rainha.
Pelo vosso tornozelo isso cheguei a suspeitar
Do mesmo jeito que vós podeis suspeitar do que eu quis dizer.

( Alexander Search , Em um tornozelo)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Retalhos da vida de um médico



Foi então que o médico, recorrendo a uma linguagem rebuscada e prenhe de intermezzos góticos, lhe comunicou que se não se submetesse à operação poderia patinar a qualquer momento.
O doente fitou-o nos olhos e  perguntou:
-Mas qual é a novidade, doutor?  Com a vida fui aprendendo que ninguém é dono do seu tempo e até o ser humano mais saudável, regrado, cauteloso e respeitador das mais modernas regras de educação alimentar,  pode abandonar esta vida em segundos.  E morrer com saúde, doutor, deve ser bem mais chato do que morrer de doença, não lhe parece?
O médico olhou-o com comiseração, encolheu os ombros e retorquiu:
-  A decisão é sua!
-Minha, doutor? Se a decisão sobre a morte  fosse de cada um de nós, o mundo  estava cheio de tipos com idade milenar . O doutor garante-me uma vida com qualidade se eu me submeter à operação?
- Não se preocupe, nós retalhamo-lo aqui, depois umas sessões de quimio e dentro de alguns meses está totalmente recuperado. Claro que terá que ser  mantido sob vigilância, mas tem grandes probabilidades de voltar a ter uma vida normal.
- Grandes probabilidades, doutor? Propõe-me que me sujeite a uma operação e, se dela sair vivo, me submeta a um tratamento doloroso cujos efeitos e consequências já tenho sobejo conhecimento. Tanto sofrimento para me tornar numa probabilidade que pode cair para qualquer lado da estatística?
O médico embatucou. Levantou-se da cadeira como convidando-o a retirar-se e disse:
-Há coisas que nenhum médico lhe pode garantir. Se não quer a cirurgia, nem fazer os tratamentos de quimioterapia, sou obrigado a respeitar a sua decisão. Limitei-me a dizer-lhe o que penso  sobre o que seria melhor para si.
-Se eu pudesse escolher  gostaria de andar por cá mais alguns anos, mas com qualidade de vida. Como  o doutor não me dá essa garantia  e não quero passar o resto dos meus dias a sofrer, aposto na roleta da sorte. Quem para cá me trouxe, que de cá me leve quando  lhe aprouver. Para quê ficar por cá se não me garante qualidade de vida?
Despediram-se com um cumprimento seco. O doente prometeu ligar na semana seguinte, sabendo de antemão que não o faria. Saiu mas, em vez de  procurar o caminho de casa,  telefonou  à companheira a sugerir um jantar.
Quando ela chega ao bar onde combinaram encontrar-se já emborcou dois whiskies.
Então que disse o médico?- pergunta ela
Tá tudo bem. Foi só um susto- responde com um sorriso que devolve a tranquilidade a ambos.
Jantam num restaurante de luxo, vão dançar a uma discoteca e, surpreendendo-a, ele propõe que façam duas semanas de férias. Ela hesita, porque não pode abandonar o trabalho assim do pé para a mão. Ele  insiste. Ela cede. O destino? Ele promete surpreendê-la.
 No dia seguinte, quando se levanta, vai à agência de viagens. Sabe que serão as últimas férias que passarão juntos.Compra duas viagens para o destino com que ela sempre sonhou. Regressa a casa feliz.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

C'est ma fête

Ah, pois, porque hoje é dia de S. João e esta canção de Richard Anthony é boa para assinalar o dia.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Ela aí está



Para quem não conhece "La vie en rose" na interpretação de Grace Jones, aqui fica a versão curta ( cerca de 3 m), embora eu prefira a original com mais de 12, sendo os dois primeiros minutos apenas instrumentais. 

domingo, 21 de junho de 2015

La vie en rose

Confesso que talvez tenha dançado mais vezes a versão inglesa da Grace Jones ( foi lançada  e tornou-se um hit quando eu vivia nos Estados Unidos), mas foi pela voz da Edith Piaf que comecei a amar e dançar esta canção.

sábado, 20 de junho de 2015

A guerra dos paladares



Quando passei pela primeira vez por este estabelecimento, senti uma náusea ao ver a foto, mas não liguei mais ao assunto.
Dias depois estalou a guerra. O pastel de bacalhau com queijo da serra incendiou as redes sociais e as críticas vieram de todos os lados.
Como não gosto de criticar aquilo que não conheço, ontem fui experimentar. E confirmei que além de ser um atentado à gastronomia portuguesa é uma mistura que atenta qualquer palato. 
Logo que tenha oportunidade, vou saber a opinião dos turistas. Afinal, foi a pensar neles que esta mistela foi inventada. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Então, eu apresento

Confesso que fiquei estupefacto, porque a maioria das leitoras do On the rocks  não sabe quem é a Sara Sampaio.Então eu passo a fazer as apresentações.
É a menina que está na foto. Uma modelo muito reputada internacionalmente, que recentemente se tornou um das Angels da Victoria Secrets. 
Muito provavelmente já a terão visto em lojas de lingerie.
Resta dizer que é natural do Porto e foi o meu primeiro post na rubrica Bibó Porto, que aparece aos domingos no Crónicas do Rochedo.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Ma Liberté


Nem só de músicas para dançar se fazia a canção francesa.
Havia mais vida para além dos bailes de garagem e dos concertos.
As canções de  Serge Reggiani, por exemplo, eram para ouvir, pensar e discutir à volta delas em grupos de amigos.
Apesar de ter nascido em Itália e ser actor, foi a música que lhe deu mais notoriedade. Nenhuma canção de Reggiani deixava indiferente quem se preocupava com o que se passava no mundo.
Escolhi Ma Liberté, mas a escolha foi muito difícil, porque Reggiani tem um vasto leque de canções admiráveis, entre as quais destacaria a colectânea de poemas de Boris Vian.
  


terça-feira, 16 de junho de 2015

Das revistas cor de rosa

- Vi a  Sara Sampaio a almoçar com o Ricardo Araújo Pereira. Tirei uma fotografia à socapa e escrevi um artigo, podias ajudar-me a publicá-lo numa dessas revistas cor de rosa!
- Mostra lá o artigo...
- Ora vê lá...
(....)
- ‘tás maluco, isto não interessa nada!
- Então? Digo onde estavam a jantar, o que comeram, a marca do vinho, como estavam vestidos e até que saíram e foram ao cinema e isso não interessa nada?
- Quando é que tu percebes que as pessoas que lêem essas revistas gostam é de mexericos?
- Devia escrever qualquer coisa acerca do que disseram durante o jantar, é isso?
- Se tiverem dito alguma coisa bombástica..
- Só falaram de banalidades, como moda, filmes,as piadas do Ricardo e essas coisas assim...
- Então não tens hipótese. Só se inventares qualquer coisa, sei lá... Porque é que não dizes que eles em vez de irem ao cinema foram consultar uma vidente, ou alugaram um quarto num hotel, ou qualquer coisa do género... com “picante”?
- Mas não é verdade...
- E quem é que quer saber disso? O que interessa é que escrevas sobre qualquer mexerico que atraia os leitores. Se for mentira, na semana seguinte a revista desmente e fica tudo bem.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

O livro da semana




Não será o melhor livro de Ian McEwan, mas é mais um excelente trabalho do autor de Amsterdam, Jardim de Cimento, Expiação, o Fardo do Amor ou Estranha Sedução.
Uma respeitada juíza do Tribunal de Família, sem filhos e a atravessar uma crise conjugal, é confrontada com um caso que a obriga a decidir em poucas horas, a vida de um jovem de 17 anos, que só pode sobreviver se for sujeito a uma transfusão de sangue. Os pais, testemunhas de Jeová, opõem-se e o jovem também. A juiza decide, mas essa decisão irá marcar o resto da sua vida.
Uma história de confrontos entre as fragilidades das crenças religiosas e a subjectividade da justiça, que faz despertar sentimentos adormecidos e espoleta um rol de emoções.
É impossível ficar indiferente ao debate que o livro suscita na mente do leitor. Mas, para além de obrigar à introspecção, coloca uma questão vital: qual o papel que cada um de nós desempenha durante a vida, que efeitos exerce sobre os outros e, acima de tudo, até que ponto a subjectividade ou os estados de alma podem alterar profundamente o nosso desempenho e as nossas decisões? E como pode esse desempenho e poder de decisão entrar em conflito com a "missão" dos outros que connosco acidentalmente se cruzam, mas cuja existência é marcada por quem tem o poder de decidir? É legítimo decidir sem ponderar as consequências colaterais? Será sempre  a racionalidade a melhor conselheira? E o que acontece quando as emoções interferem com a razão? 
Repito:não é, certamente, o melhor livro de Ian Mc Ewan, mas merece bem uma leitura. Quanto mais não seja para que, ao longo das 200 páginas vamos tentando encontrar respostas para as perguntas que o livro coloca. 

Those were the days (28)


Nas cataratas do Iguaçú

Foto CBO

Do lado do Brasil 
Foto CBO
E do lado da Argentina

domingo, 14 de junho de 2015

A mais bela do baile

Como estamos em maré de bailes, hoje lembrei-me desta canção desta loirinha que fazia tremelicar muitos corações.
Pessoalmente preferia a rival Françoise Hardy. E os meus caros leitores?

sábado, 13 de junho de 2015

Rescaldo de um casamento de Santo António

Mulher para o marido - Estamos casados há mais de 20 anos e nem uma jóia me compraste.
Marido - Sabia lá que vendias jóias …

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Santo António em versão século XXI

O video já é antigo, mas achei oportuno recordar estes manjericos na noite de Santo António.
Divirtam-se e não se esqueçam do manjerico. O alho porro fica para o S. João.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Mendigos



Enfrentando o calor do início da tarde daquela sexta-feira, arrastava-me lentamente pela Avenida da República.
Dois mendigos  estavam sentados nas escadas da  Caixa Geral de Depósitos. Conversavam animadamente e, de quando em vez, agitavam os recipientes metálicos onde os passantes depositam as esmolas, fazendo ouvir o tilintar das moedas.
Enquanto levantava dinheiro na caixa multibanco, fui ouvindo a conversa.
- Mas tens medo de morrer porquê?
- Eu sei lá o que vou encontrar do outro lado. E se ainda for pior do que aqui?
- Pior não deve ser. E se for ( apontando em direcção a uns carros pretos com motorista que tinham entretanto parado junto ao ministério da economia), já vamos mais habituados do que esses ricaços.
-Queres-me convencer que não tens medo da morte? Se algum dia estiveres no meu estado vais ver se não tens medo…
- Mas medo de quê? Nunca matei ninguém, não roubei , não sou  podófilo (sic) e sempre tratei bem as mulheres, porque é que devo ter medo?
- Achas que nós temos direito a outra vida? Gostava de experimentar como é ser rico.
- Eu não. Isso deve dar muito trabalho. E já reparaste que ninguém gosta dos ricos? Se cá voltar, só quero que as pessoas gostem de mim e me tenham respeito.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Olha que dois!


Naquele tempo esta canção vinha com bolinha. Imprescindível em qualquer convívio de Faculdade, ou baile de garagem.
Para dançar muito agarradinho, entre sussuros ao ouvido da/o parceira/o.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Mulheres de Ferro

- Ouvi dizer que não gostas nada de Mulheres de Ferro como a Margareth Thatcher
- Pois não. 
- Mas porquê? Não gostas de mulheres com personalidade?
- Não é nada disso pá!...Só que as prefiro de oiro.
- Ah! estou a perceber... com a crise, se tiveres problemas, sempre as podes pôr no prego, não é?

segunda-feira, 8 de junho de 2015

O livro da semana: Stoner


A primeira coisa que me chamou a atenção em Stoner, foi tratar-se de um livro escrito há 50 anos que esteve esquecido até 2013. Como é que numa época de tanta produção livreira ( produção literária é outra coisa…)  alguém se lembra de ir repescar este livro esquecido  há meio século e, num ápice, Stoner se transforma num estrondoso sucesso a nível mundial?
Sou um bocado avesso a best- sellers  e hesitei antes de o enfiar no saco de compras, mas não resisti às apreciações da capa ( clicar na imagem)
“Não percebo como é que um romance tão bom passou despercebido tanto tempo”  escreve Ian Mc Ewan.
Uma citação destas de um dos meus autores preferidos, sobre um livro e um escritor que me eram totalmente desconhecidos, não caiu em saco roto. E a curiosidade em lê-lo foi tão grande que não ficou na lista de espera. Nesse mesmo dia comecei a lê-lo e dei por mim a devorar cada página com enorme sofreguidão.
O livro é sobre a vida de um professor universitário desconhecido.  Nascido num recôndito lugarejo , parece ter o destino traçado à nascença: ser trabalhador rural para toda a vida. Já adolescente é instigado pelos pais a ir para a Universidade estudar agricultura para depois os ajudar nas tarefas do campo. Vai para a Universidade para “cumprir um dever”,  mas acaba por se tornar professor de Literatura Inglesa.
Que raio o terá entusiasmado num livro  com um enredo aparentemente tão insonso? – perguntarão alguns leitores.  
A resposta é fácil: a emoção que transpira ao longo da narrativa.  Stoner é um homem “vulgar”, nascido num meio sem quaisquer referências, destinado a “ver a vida passar”  que um dia é “iluminado” pela literatura e faz dela a sua paixão. Estudando-a e ensinando-a. O resto ( que é o essencial do livro) é uma vida cheia de erros, de frustrações e de falhanços próprios de quem teve de enfrentar a vida sem estar preparado para ela.  
Ia escrever que Stoner teve uma vida infeliz, mas isso é uma grande mentira. Ele  conseguiu encontrar a felicidade, onde a maioria só vê frustração. Pois… foi mesmo isso que me empolgou neste livro que recomendo a quem não  vir a vida como uma história de sucesso. É que este é um livro para pessoas que preferem ser felizes.

domingo, 7 de junho de 2015

A minha musa

Françoise Hardy era a minha musa e este foi o primeiro disco dela que eu comprei. 
O primeiro concerto a que fui foi também dela.
Esta foi a canção que me enfeitiçou. Muitas outras vieram depois e ainda há poucos meses recebi o último disco dela. Continuo a adorar a voz desta senhora.

sábado, 6 de junho de 2015

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A sentença

Então já sabes que o tipo que matou a mãe e a congelou às postas na arca frigorífica vai ter a pena atenuada?
- Provavelmente foi considerado inimputável...
- Nada disso... a defesa alegou  que as postas da senhora ainda estavam dentro do prazo de validade.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Homem prevenido...

Onde vais com tanta pressa?
- Vou a uma consulta do coração.
-Não sabia que sofrias do coração.
- Não sei se sofro, mas o melhor é prevenir.
- Então vais ao médico fazer um "check up", é?
- Não! Vou fazer sexo.
- Fazer sexo? Mas ainda esta manhã, quando te encontrei, disseste que tinhas acabado de fazer sexo...
- Claro! Li no jornal que o sexo a dobrar diminui o risco de enfartes , por isso faço duas vezes ao dia. A prevenção é o melhor remédio.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Sobre a imortalidade


Se há canções e cantores imortais, aqui está um exemplo de 2 em 1

Those were the days (26) - Com bolinha vermelha

Hoje as imagens vêm acompanhadas de uma história.
A cidade é Bonifácio ( Córsega) e...







para quem ainda não conhece a história que se passou comigo nessa cidade, sugiro que siga o link e dê uma espreitadela.
AVISO PRÉVIO: a história, além de ser bastante extensa,  contém cenas susceptíveis de impressionar alguns leitores.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Livro da semana

Esta semana excepcionalmente à terça feira


Porque ontem foi Dia da Criança e este é um livro que,embora não precise de apresentações, merece ser lido por crianças e relido por adultos.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Cãosono e o Dia Mundial da Criança


Um cão velho e com olhar cansado andava há dias a rondar a minha casa. Todas as tardes, quando passava, parava à porta do jardim e só minutos depois de eu o saudar ele se ia embora, em patada lenta, olhando repetidas vezes para trás, como se estivesse à espera de um convite para entrar.
Um dia decidi abrir-lhe a porta do jardim. Ele entrou sem se fazer rogado. Fiz-lhe umas festas, ele lambeu-me as mãos e quando entrei em casa ele seguiu-me.
Passou pelo corredor, entrou na sala, deitou-se num cantinho e dormiu.
Enquanto ele dormia pude ver, pela coleira e seu pêlo brilhante, que era bem alimentado e bem cuidado.
Uma hora depois ele foi para a porta e eu deixei-o sair.
No dia seguinte ele regressou.  Voltei a abrir-lhe a porta do jardim, cumprimentou-me com uma lambidela, fiz-lhe uma festa, entrei em casa, ele seguiu-me e dirigiu-se de imediato para o seu cantinho. Enroscou-se e dormiu. Pouco mais de uma hora depois levantou-se, foi à sala, lambeu-me a mão e ficou à espera que eu lhe abrisse a porta para sair. 
A cena repetiu-se nos dias seguintes. Ao fim de uma semana ganhou à vontade e já não esperava que eu entrasse em casa. Mal eu lhe abria a porta do jardim, trocávamos festas e ele dirigia-se para o seu canto. 
A sua vinda a minha casa tornou-se tão familiar, que eu me impacientava quando ele chegava atrasado, com medo que algo de mal lhe tivesse acontecido, ou que tivesse trocado a minha casa por outra mais aprazível. Mas ele vinha sempre, com excepção dos domingos.
Ao fim de um mês, não resisti. Estava curioso para saber quem era o dono daquele cão e coloquei-lhe um bilhete na coleira:
"Gostaria de saber quem é o dono deste belo cachorro, e perguntar se o seu dono sabe que ele vem diariamente- com excepção dos domingos- até à minha casa na parte da tarde e tira uma soneca."
No dia seguinte o cão chegou para sua habitual soneca, com um outro bilhete na coleira:
"Ele mora numa casa com seis crianças, duas das quais têm menos de três anos.... provavelmente ele vai até sua casa para ter um tempo de sossego. Ao domingo ele não vai, porque a família vai toda almoçar a casa dos meus sogros e ele fica com a casa só para ele.
Posso ir com ele amanhã?"
( Reconstruí este texto a partir de um e-mail que recebi há dias, mas sem alterar o fundamental da história).