segunda-feira, 1 de junho de 2015

Cãosono e o Dia Mundial da Criança


Um cão velho e com olhar cansado andava há dias a rondar a minha casa. Todas as tardes, quando passava, parava à porta do jardim e só minutos depois de eu o saudar ele se ia embora, em patada lenta, olhando repetidas vezes para trás, como se estivesse à espera de um convite para entrar.
Um dia decidi abrir-lhe a porta do jardim. Ele entrou sem se fazer rogado. Fiz-lhe umas festas, ele lambeu-me as mãos e quando entrei em casa ele seguiu-me.
Passou pelo corredor, entrou na sala, deitou-se num cantinho e dormiu.
Enquanto ele dormia pude ver, pela coleira e seu pêlo brilhante, que era bem alimentado e bem cuidado.
Uma hora depois ele foi para a porta e eu deixei-o sair.
No dia seguinte ele regressou.  Voltei a abrir-lhe a porta do jardim, cumprimentou-me com uma lambidela, fiz-lhe uma festa, entrei em casa, ele seguiu-me e dirigiu-se de imediato para o seu cantinho. Enroscou-se e dormiu. Pouco mais de uma hora depois levantou-se, foi à sala, lambeu-me a mão e ficou à espera que eu lhe abrisse a porta para sair. 
A cena repetiu-se nos dias seguintes. Ao fim de uma semana ganhou à vontade e já não esperava que eu entrasse em casa. Mal eu lhe abria a porta do jardim, trocávamos festas e ele dirigia-se para o seu canto. 
A sua vinda a minha casa tornou-se tão familiar, que eu me impacientava quando ele chegava atrasado, com medo que algo de mal lhe tivesse acontecido, ou que tivesse trocado a minha casa por outra mais aprazível. Mas ele vinha sempre, com excepção dos domingos.
Ao fim de um mês, não resisti. Estava curioso para saber quem era o dono daquele cão e coloquei-lhe um bilhete na coleira:
"Gostaria de saber quem é o dono deste belo cachorro, e perguntar se o seu dono sabe que ele vem diariamente- com excepção dos domingos- até à minha casa na parte da tarde e tira uma soneca."
No dia seguinte o cão chegou para sua habitual soneca, com um outro bilhete na coleira:
"Ele mora numa casa com seis crianças, duas das quais têm menos de três anos.... provavelmente ele vai até sua casa para ter um tempo de sossego. Ao domingo ele não vai, porque a família vai toda almoçar a casa dos meus sogros e ele fica com a casa só para ele.
Posso ir com ele amanhã?"
( Reconstruí este texto a partir de um e-mail que recebi há dias, mas sem alterar o fundamental da história).

13 comentários:

  1. As crianças são o melhor que o mundo tem, mas tiram o sossego até ao amigo mais fiel e dedicado!

    Excelente! :)

    Janita

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  2. Que história mais linda! Gostei, emocionou-me e fiquei a pensar como seria se o dono ou a dona do cão também viesse com ele para uma soneca :)
    um beijinho

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  3. Que história mais linda! Gostei, emocionou-me e fiquei a pensar como seria se o dono ou a dona do cão também viesse com ele para uma soneca :)
    um beijinho

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  4. Magnífico e terno texto!
    Até o mais fiel amigo precisa de descanso!

    Beijinhos.

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  5. Coitadinho do bicho, só precisava de descansar um bocadinho... :)

    Beijocas

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  6. Coitadinho do bicho, só precisava de descansar um bocadinho... :)

    Beijocas

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  7. A ternura e o sossego são bons em qualquer lugar.
    Gostei mto da história, Carlos!
    Beijo.

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  8. Já conhecia é é absolutamente fenomenal!

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  9. A maior ternura é o amoroso cachorro.

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