segunda-feira, 15 de junho de 2015

O livro da semana




Não será o melhor livro de Ian McEwan, mas é mais um excelente trabalho do autor de Amsterdam, Jardim de Cimento, Expiação, o Fardo do Amor ou Estranha Sedução.
Uma respeitada juíza do Tribunal de Família, sem filhos e a atravessar uma crise conjugal, é confrontada com um caso que a obriga a decidir em poucas horas, a vida de um jovem de 17 anos, que só pode sobreviver se for sujeito a uma transfusão de sangue. Os pais, testemunhas de Jeová, opõem-se e o jovem também. A juiza decide, mas essa decisão irá marcar o resto da sua vida.
Uma história de confrontos entre as fragilidades das crenças religiosas e a subjectividade da justiça, que faz despertar sentimentos adormecidos e espoleta um rol de emoções.
É impossível ficar indiferente ao debate que o livro suscita na mente do leitor. Mas, para além de obrigar à introspecção, coloca uma questão vital: qual o papel que cada um de nós desempenha durante a vida, que efeitos exerce sobre os outros e, acima de tudo, até que ponto a subjectividade ou os estados de alma podem alterar profundamente o nosso desempenho e as nossas decisões? E como pode esse desempenho e poder de decisão entrar em conflito com a "missão" dos outros que connosco acidentalmente se cruzam, mas cuja existência é marcada por quem tem o poder de decidir? É legítimo decidir sem ponderar as consequências colaterais? Será sempre  a racionalidade a melhor conselheira? E o que acontece quando as emoções interferem com a razão? 
Repito:não é, certamente, o melhor livro de Ian Mc Ewan, mas merece bem uma leitura. Quanto mais não seja para que, ao longo das 200 páginas vamos tentando encontrar respostas para as perguntas que o livro coloca. 

4 comentários:

  1. Carlinhosamigo

    SUGESTÃO

    Um destes dias também podias falar do "Crónicas das minhas teclas Obrigado (agradecido, não obrigado a publicar...)

    Abç do

    Pernoca Marota

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  2. Estou a ler O Lobo das Estepes, de Hermann Hesse.
    E vêm 24 livros a caminho que aproveitei os portes grátis da Wook no dia 10 de Junho.

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  3. Pode não ser o melhor livro em termos literários, as aborda várias questões muito pertinentes. Fiquei curiosa.

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  4. Não li muitos livros dele, mas gostei de todos os que li. Este é uma opção a tomar, lá mais para o final do verão, altura em que os livros que comprei na Feira já devem ter sido lidos. Mas antes deste ainda há o Stoner,claro, que não me esqueci da sua sugestão (e de uma amiga minha).

    Beijocas

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