sábado, 27 de junho de 2015

Revelação de um tornozelo



Tive uma revelação não do alto
Mas de baixo, quando a vossa saia por um momento levantou
Traíu tal promessa que não tenho
Palavras para bem descrever a vista.

E mesmo se o meu verso tal coisa pudesse tentar,
Difícil seria, se a minha tarefa fosse contemplada,
Para encontrar uma palavra que não fosse mudada
Pela mão fria da Moralidade.

Olhar é o bastante: o mero olhar jamais destruiu qualquer mente,
Mas oh, doce senhora, além do que foi visto
Que coisas podem ser adivinhadas ou sugerir desrespeito!

Sagrada não é a beleza de uma rainha.
Pelo vosso tornozelo isso cheguei a suspeitar
Do mesmo jeito que vós podeis suspeitar do que eu quis dizer.

( Alexander Search , Em um tornozelo)

2 comentários:

  1. "Quanto Mais Quente Melhor!" Aqui a Diva mostra mais do que o tornozelo....

    EPITÁFIO
    Aqui jaz Alexander Search
    Que Deus e os homens deixaram só,
    Que sofreu e chorou ser escárnio da natureza.
    Recusou o Estado, recusou a igreja,
    Recusou Deus, a mulher, o homem e o amor,
    Recusou a terra em volta e o céu além.
    Resumiu assim o seu saber:
    (...) e amor não há
    Nada no mundo existe de sincero
    Salvo a dor, o ódio, a luxúria e o medo
    E mesmo estes são ainda suplantados
    Pelos males que causam.
    Andava pelos vinte anos quando morreu
    Estas foram as suas últimas palavras:
    Deus, a Natureza e o Homem, malditos sejam!

    O 'nosso' Fernando Pessoa era tramado! Não contente com a catrefada de heterónimos que criou, ainda inventou mais este Alexander Search, para escrever poemas na Língua de Shakespeare.

    Grande Pessoa!

    Janita

    ( finalmente, consegui comentar! Que teria acontecido, ontem? )

    ResponderEliminar