quarta-feira, 28 de setembro de 2016

De Pitões das Júnias a Rio de Onor


Adoro Trás os Montes, onde passei 10 dias magníficos no início de Setembro.Aquela região do pais tem tudo. Paisagens agrestes e pacificadoras que nos deslumbram, percursos pedestres e fluviais ímpares, praias (com areia e tudo) e uma bacia hidrográfica com paisagens de cortar a respiração.





Não é por acaso que escolho este percurso entre 
Pitões das Júnias e Rio de Onor para iniciar esta viagem por Trás os Montes. 


Há 40 anos andei por aqui durante três meses. No início de setembro, durante dois dias, fiz  o percurso  por essas terras onde deliberadamente me perdi,  para me encontrar.


Emocionei-me outra vez em cada paragem nas dezenas de aldeias do Parque Nacional de Montesinho. Em cada aldeia uma história. Em cada quilómetro, um turbilhão de memórias. 


Das que não se reproduzem em imagens, mas ficam gravadas para sempre.


Como os montes pintados a preceito...

O calor tórrido que se fazia sentir tornava ainda mais inóspito o casario isolado que vai pintalgando os montes, em aldeias dispersas. 

Em muitas delas há sinais de casas de imigrantes que regressam uma ou duas vezes por ano para matar saudades 


E há casas abandonadas, recuperadas ou desfiguradas que alteraram a paisagem



Ainda que modernizados, os lavadouros  são testemunho de uma vida comunitária que marcava aquela região


Os fontanários estão mais alindados e mantêm a serventia, dessedentando quem passa


e
O coreto perpetua na memória dos que todos os anos regressam no Verão, para matar saudades, as músicas de uma banda que anima as festas anuais em honra de um qualquer santo


O bar/ restaurante/ mercearia desta aldeia estava fechado, porque  a maioria dos clientes já abalou e os que ficaram só ao final do dia demandarão aquele lugar para uns momentos de repouso e cavaqueira. 


Voltamos à estrada e aos tapetes pintados


Nesta aldeia o sino da igreja convidava a uma paragem. 



Em boa hora respondemos à chamada. Encontraríamos o senhor António que durante mais de duas horas nos ajudou a recordar como era a vida em Rio de Onor há 40 anos. 


A aldeia mais recôndita de Portugal tem agora os caminhos do contrabando transformados em estradas  que ligam a Espanha e são muitos os passantes que a demandam, ou por aí fazem férias no parque de campismo.
Terminada a conversa, partimos em direcção a Bragança, retomando as estradas sinuosas que serpenteiam entre montes e vales. Regressámos em silêncio. Há memórias que não podem ser corrompidas pelas palavras. 


AVISO AOS LEITORES
Deliberadamente omiti o nome das aldeias onde foram tiradas estas imagens. Fiz esta opção, porque a memória da forma de vida destas aldeias transmontanas há 40 anos (que agora revisitei nesta viagem entre Pitões das Júnias -Melgaço- e Rio de Onor - Bragança) me merece essa homenagem. É uma forma de agradecer a essa gente maravilhosa o modo como então me recebeu e de lhes dizer: apesar de tudo, valeu a pena.

23 comentários:

  1. Uma reportagem 5 estrelas.

    Beijinho de uma (transmontana???).

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    1. Viagens pela nossa terra, Carlos, da qual sinto algo chamado SAUDADE.

      Vi as fantásticas fotografias no meu computador, antes tinha as visto na minha tablet, o que não é a mesma coisa.

      A minha mãe nasceu em Bragança, cidade que conheço, mas quero descobrir toda essa bela região.

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    2. Obrigado pelo elogio às fotos, mas é gentileza sua. Saó fotos tiradas com o ipad ou iphone.
      Pensava que a sua mãe era de Lamego, Teresa, mas em Bragança também estive. Até publiquei umas fotos no FB.
      Prometo trazer aqui essas fotos.

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  2. Uma regiao que pouco conheco. Sei que preenche todos os nossos sentidos.

    Post de viagens sao comigo.... gajas boas/Europa, nao tanto... : ) Ainda se se tratasse de gajos bons...

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    1. Acredite, Catarina, que Trás os Montes e parte da Beira Alta são da regiões mais belas deste país. Quando puder, passe por lá

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  3. Apetecia-me mesmo estar ali no cenário da primeira foto. :)

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  4. Emocionei-me ao ler-te...sei que ando um vidrinho...é a vida...são as saudades e recordações.
    Entendo-te!
    Adorei as fotos.Adoro o nosso Portugal profundo.

    Beijinhos e obrigada por tão bela reportagem.

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    1. Muitos beijinhos também para ti, Elisa. E obrigado pelas tuas palavras

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  5. Um Portugal que, confesso, conheço muito mal.

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  6. A primeira vez que lá fui estive numa aldeia ( mantenho o anonimato) que só tinha uma habitante a viver lá o ano inteiro, por causa da neve chegava a ficar isolada três meses! No verão chegavam os emigrantes mas segundo nos contou poucos tinham vontade de regressar. Gostei das fotos, conheço bem , seou transmontana!
    bjs

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    1. Não sabia que era transmontana, papoila. Agora confirmo aquilo que jápensava de si: é uma boa pessoa :-)

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    2. Exactamente :))) Também não deixo escapar nenhum transmontano sem uma palavra amiga!!!
      bjs

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  7. Gostei muito e agradeço a preciosa partilha.
    Fico muito satisfeita por ter podido voltar e em boa companhia.
    Que tudo lhe corra da melhor maneira e longa vida para estas
    «Crónicas on Cascais»...
    Continuação de dias muito felizes.
    Abraço afetuoso.
    ~~~~~~~~~~

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    1. As crónicas continuarão a ser On the rocks, Majo. Obrigado pelas suas palavras. Abraço grande

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  8. Obrigada por esta valiosa partilha para quem como eu conheço muito pouco de Trás-os-Montes. Apenas Chaves, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real. Além de Lamego, que uns dizem ser Trás-os-Montes, e outros Beira, e é onde tenho parte das minhas raízes, já que foi lá que nasceu minha mãe.
    Abraço

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    1. Lamego é zona de transição, Elvira, mas uma cidade também belíssima. Espero contribuir para lhe dar a conhecer um pouco mais de Tras os Montes mas, principalmente, para a incentivar a ir até lá.
      Abraço

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  9. As fotos são como retalhos magníficos da região transmontana. e as legendas muito inspiradoras, Carlos. No entanto, cheguei ao fim e li, com pena e sem compreender bem, essa homenagem que o Carlos quer prestar às gentes das aldeias, não mencionando o nome dos locais. Mas o Carlos lá sabe...
    Gostei da partilha destas suas belíssimas recordações de umas férias passadas, numa das mais bonitas e agrestes zonas do nosso País.
    Que venham mais fotos, ainda que não fique a saber de onde são.

    Bom FDS, Carlos.

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    1. É uma razão muito minha que me leva apenas a identificar os nomes das aldeias de partida e de chegada. Este percurso fez mudar a minha vida há 40 anos. E mais não digo, sorry..
      Nos próximos posts as fotos passarão a ser identificadas,

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  10. A realidade é sempre diferente da fotografia. Tão diferente como um retrato da pessoa retratada. Mas as fotos estão bastante boas. Desconheço Trás os Montes, por mim as aldeias podem ficar assim: elas mesmas. Os nomes, por vezes, só diminuem.
    Andar viajando fez-lhe bem:).

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    1. Foi a viajar, ou junto ao mar, que sempre me senti bem. E esta viagem fez-me particularmente bem, porque funcionou como uma espécie de catarse.

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  11. Não cabe numa fotografia tudo aquilo que os nossos olhos captam nestas belas paisagens.
    Obrigada por partilhares connosco estes teus registos e memórias.

    Beijinhos viajantes
    (^^)

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